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Silas Malafaia é alvo de operação da PF no Rio por suspeita de coação em processo de golpe de Estado

Pastor é abordado no Galeão, tem celulares apreendidos e está proibido de deixar o país.

O choque foi imediato: um dos pastores mais influentes do Brasil, Silas Malafaia, foi surpreendido por agentes da Polícia Federal no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (20). A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), insere o líder religioso no núcleo de investigados por suspeita de atuar na tentativa de golpe de Estado que ainda ecoa como uma das maiores crises da história recente do país.

O episódio não é apenas mais um ato processual. Ele mexe com a base evangélica que sempre sustentou Jair Bolsonaro e aprofunda o desgaste político do ex-presidente e de seus aliados.

A operação no Galeão

Ao desembarcar de um voo vindo de Lisboa, Malafaia foi abordado por policiais federais que cumpriram mandados de busca pessoal e apreensão. Os agentes confiscaram seus celulares e, em seguida, o pastor foi conduzido para prestar depoimento no próprio aeroporto.

Além da apreensão de aparelhos, o STF determinou medidas cautelares: Malafaia não pode deixar o Brasil e está proibido de manter contato com outros investigados. As restrições reforçam o peso das acusações que recaem sobre ele.

Suspeita de coação e obstrução

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), há indícios consistentes de que Malafaia atuava como orientador e auxiliar em ações de coação contra autoridades responsáveis pela Ação Penal nº 2668:  processo em que Jair Bolsonaro é réu.

No parecer entregue ao STF em 15 de agosto, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que existem diálogos e publicações que conectam Malafaia a tentativas de interferir no curso da ação. “Impõe-se concluir que estão associados no propósito comum, bem como nas práticas dele resultante, de interferir ilicitamente no curso e no desenlace da ação penal”, destacou Gonet.

O envolvimento do pastor, segundo a investigação, também o aproxima de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, em um possível elo de articulação para pressionar ou enfraquecer autoridades judiciais.

Peso político e religioso

Malafaia não é apenas um pastor. Ele é uma voz que ecoa entre milhões de fiéis, especialmente dentro do meio evangélico, um segmento estratégico da política brasileira. Ao longo dos últimos anos, sua imagem esteve intimamente ligada ao projeto de poder de Jair Bolsonaro.

No início de agosto, o pastor esteve na Avenida Paulista no ato “Reaja Brasil”, evento marcado por discursos em defesa da “anistia já” e contra o que os organizadores chamaram de “censura”. Ali, Malafaia mais uma vez reforçou sua posição como um dos principais porta-vozes da resistência bolsonarista.

Agora, porém, essa mesma liderança religiosa se vê cercada pela Justiça, numa operação que pode abalar ainda mais a relação entre a base evangélica e o projeto político de Bolsonaro.

Repercussão imediata

A operação rapidamente tomou as redes sociais. Entre apoiadores, a narrativa de perseguição política ganhou força, enquanto críticos destacaram a gravidade de um líder religioso supostamente envolvido em tentativas de obstrução da Justiça.

Até o momento, Malafaia não se pronunciou oficialmente. Seu silêncio contrasta com o histórico de manifestações públicas em que sempre fez questão de se posicionar diante de acusações.

O impacto no cenário político

A inclusão de Silas Malafaia no rol de investigados é mais do que um movimento judicial: é um marco político. Ela reforça a percepção de que a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado avança não apenas contra militares e ex-ministros, mas também sobre lideranças civis e religiosas que orbitavam em torno de Jair Bolsonaro.

Cada passo desse inquérito amplia a tensão no país e redefine o jogo político para 2026, em meio a uma sociedade polarizada e ainda ferida pelas cicatrizes do 8 de janeiro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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