Greve por tempo indeterminado coloca em alerta hospitais e unidades de saúde; trabalhadores reivindicam melhores salários, condições de trabalho e valorização profissional.
A partir desta terça-feira (2), trabalhadores da saúde pública estadual de Rondônia iniciaram uma greve por tempo indeterminado, afetando todas as unidades vinculadas ao Governo do Estado. A decisão foi tomada em assembleia realizada na última sexta-feira (29), em frente ao Hospital de Base, em Porto Velho, com a participação dos sindicatos SIMERO (médicos), SINDERON (enfermeiros) e SINTRAER (administrativos).
Motivos da paralisação
A greve é uma resposta ao que os profissionais consideram descaso do governo estadual com a saúde pública. Entre as principais reivindicações estão:
• Reajuste salarial: os sindicatos solicitam uma revisão nos salários, considerando que o orçamento da saúde estadual está abaixo do percentual constitucional de 12% do PIB, sendo apenas 6% em 2025. Alguns estados destinam até 24% do PIB à saúde.
• Melhorias nas condições de trabalho: há denúncias de falta de insumos, equipamentos e sobrecarga de trabalho nas unidades de saúde.
• Valorização profissional: os profissionais buscam reconhecimento e melhores condições para desempenhar suas funções.
Impacto nos serviços de saúde
Durante a greve, os atendimentos serão organizados da seguinte forma:
• 100% de funcionamento: hospitais de urgência e emergência, UTIs, centro obstétrico de alto risco, serviços oncológicos e unidades de terapia intensiva.
• 30% de funcionamento: hospitais e policlínicas com serviços eletivos e ambulatoriais, como o Hospital de Base, CEMETRON, Policlínica Oswaldo Cruz e Hospital de Retaguarda de Rondônia.
Apesar da redução nos serviços, os profissionais afirmam que a medida é necessária para chamar a atenção para a situação da saúde pública no estado.
Reações e perspectivas
O governo estadual ainda não se pronunciou oficialmente sobre a greve. Representantes dos sindicatos afirmam que tentaram diálogo, mas não obtiveram respostas satisfatórias. A ausência de representantes do governo em reuniões anteriores foi vista como um indicativo de falta de interesse em resolver a situação.
A paralisação coloca em evidência as condições da saúde pública em Rondônia e a necessidade urgente de investimentos e valorização dos profissionais da área. A população aguarda por soluções que garantam a continuidade e qualidade dos serviços essenciais.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Sindsaúde













