Vorasidenibe amplia sobrevida sem progressão da doença em mais de dois anos e oferece alternativa oral com poucos efeitos colaterais.
O diagnóstico de um tumor cerebral raramente vem sozinho: junto dele chegam a preocupação, o medo e a busca por esperança. Para pacientes com astrocitoma ou oligodendroglioma, tipos de glioma que afetam o sistema nervoso central, uma nova perspectiva se abre com a aprovação do vorasidenibe pela Anvisa. O medicamento promete prolongar o tempo de controle da doença, mantendo a qualidade de vida de quem enfrenta esse desafio.
Resultados promissores em ensaio clínico
O vorasidenibe foi testado no estudo INDIGO (Investigating Vorasidenib in Glioma), publicado no New England Journal of Medicine em junho de 2023. Pacientes tratados com a medicação apresentaram uma mediana de sobrevida livre de progressão de 27,7 meses, comparada a 11,1 meses do grupo que recebeu placebo. O risco de progressão ou morte caiu quase 61%, um avanço significativo que permite aos pacientes mais tempo com autonomia e bem-estar.
Outro dado relevante do estudo é que, após 24 meses, 83% dos pacientes em tratamento com vorasidenibe não precisaram de outra intervenção, contra apenas 27% do grupo controle. Além disso, a forma oral e a baixa incidência de efeitos colaterais tornam o medicamento mais tolerável a longo prazo.
Como o vorasidenibe atua
O fármaco atua especificamente sobre mutações nas enzimas IDH-1 e IDH-2, que levam à produção excessiva da substância 2-hidroxiglutarato (2-HG), interferindo na divisão celular e promovendo o crescimento do tumor. Ao bloquear a ação dessas enzimas mutadas, o vorasidenibe reduz a produção de 2-HG, atrasando a progressão do câncer e, em alguns casos, reduzindo o volume do tumor.
“Não se trata de uma cura, mas de uma ferramenta que ajuda a controlar a doença por mais tempo, adiando tratamentos mais agressivos como quimioterapia e radioterapia”, explica o oncologista Donato Callegaro Filho, do Einstein Hospital Israelita.
Um tratamento mais seguro e inovador
Astrocitomas e oligodendrogliomas são tumores difusos, que se infiltram no tecido cerebral de forma pouco delimitada, dificultando a remoção completa por cirurgia. Os sintomas podem incluir convulsões, dores de cabeça e alterações neurológicas progressivas. Até agora, as opções após cirurgia incluíam radioterapia ou quimioterapia, com efeitos colaterais significativos. O vorasidenibe surge como uma alternativa menos invasiva, com potencial de manter a qualidade de vida do paciente por mais tempo.
Chegada ao mercado brasileiro
A Anvisa aprovou o registro do vorasidenibe para gliomas de baixo grau com mutação em IDH-1 ou IDH-2, em pacientes maiores de 12 anos que já passaram por cirurgia. No entanto, antes de chegar às farmácias, o medicamento ainda precisa de aprovação na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para definição de preço e posteriormente avaliação pela ANS e Conitec, caso seja incorporado ao SUS.
Um novo horizonte de esperança
Para pacientes e familiares, cada dia sem progressão da doença é precioso. O vorasidenibe não apenas oferece mais tempo, mas também a possibilidade de vivê-lo com qualidade, preservando a rotina e a autonomia. Em um cenário de desafios médicos complexos, essa nova terapia representa um alívio concreto e uma esperança renovada para quem luta contra o câncer cerebral.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













