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Ministro do STF aponta que Bolsonaro e aliados planejavam ataque à Justiça Eleitoral e tentativas de golpe

Alexandre de Moraes detalha uso de milícias digitais, discursos públicos e reuniões ministeriais para deslegitimar eleições e ameaçar poderes constituído.

A democracia brasileira foi colocada sob intenso escrutínio nesta terça-feira (9), durante o julgamento do chamado “núcleo 1”, envolvendo Jair Bolsonaro e sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirmou que o ex-presidente e seus aliados tinham como objetivo tornar a Justiça Eleitoral o “inimigo a ser extirpado”, utilizando desde discursos públicos e lives com robôs de desinformação até reuniões ministeriais e encontros com embaixadores, todos direcionados a fragilizar o Estado democrático de direito.

Justiça Eleitoral como alvo e o uso de milícias digitais

Segundo Moraes, as transmissões ao vivo de Bolsonaro contavam com sistemas automatizados para espalhar informações falsas em larga escala. “Era realizado, a partir de um complexo sistema de financiamento, produção e divulgação, utilização de números robôs, inclusive para divulgar desinformação de forma massiva, atentando contra os poderes constituídos”, destacou o ministro, que também citou a atuação das chamadas “milícias digitais”.
“O Tribunal Superior Eleitoral e a Justiça Eleitoral eram o inimigo a ser vencido, derrubado, extirpado”, disse Moraes, reforçando a gravidade da conduta dos réus.

Reunião com embaixadores e atos golpistas

O ministro também criticou a reunião de Bolsonaro com embaixadores em julho de 2022, considerando o ato um exemplo de “entreguismo nacional”. Moraes explicou que o encontro teve a apresentação de notícias, vídeos e fotos fraudulentas para questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas, deslegitimando não apenas a Justiça Eleitoral, mas todo o Poder Judiciário.
Além disso, Moraes apontou que outras ações planejadas pelo grupo incluíam reuniões ministeriais com caráter golpista, nas quais ministros, servidores e militares eram pressionados a apoiar a execução de atos contrários à Constituição.

Reflexão sobre a democracia

O julgamento desta semana revela a complexidade e o risco de tentativas de fragilizar instituições essenciais à democracia. Moraes reforçou que ações coordenadas, propagadas por discursos públicos e estruturas digitais, não podem se sobrepor às leis e à Constituição de 1988. Para o país, o recado é claro: a preservação da democracia depende da vigilância de todos e da proteção intransigente das instituições que garantem a vontade popular.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/STF

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