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Alexandre de Moraes aponta claras confissões de tentativa de golpe e alerta sobre riscos à democracia

Ministro do STF denuncia planos de assassinato e unidade de desígnios de grupo liderado por Bolsonaro, reforçando a fragilidade da alternância de poder no país.

O Brasil quase reviveu tempos sombrios que a democracia demorou décadas para superar. É com esse peso que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), revelou nesta terça-feira (9), durante o julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que integrantes da organização criminosa liderada pelo ex-mandatário deram claras confissões sobre a prática de tentativa de golpe de Estado.

Confissões de militares e plano de golpe


Entre os episódios destacados, Moraes citou fala do ex-ministro da Defesa e réu Walter Braga Netto, em novembro de 2022: “Não posso conversar, mas vocês não percam a fé, é só o que eu posso falar para vocês agora”. Para o ministro, essa declaração evidencia unidade de desígnios do grupo e tentativa de golpe militar no dia 8 de janeiro de 2023.

Plano “Punhal Verde e Amarelo” e ameaça ao presidente eleito


Moraes alertou ainda para o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato do presidente eleito, Lula. “Não é possível normalizar um planejamento para matar o presidente da República eleito. Tivemos 20 anos de ditadura, torturas e desrespeito às instituições. Não podemos banalizar o retorno a momentos obscuros da nossa história”, reforçou.

Grupo político que não sabe perder
O ministro ressaltou a falha fundamental da organização: “Estamos esquecendo que o Brasil quase voltou a uma ditadura que durou 20 anos, porque um grupo político não sabe perder eleições. Quem perde, vira oposição e disputa as próximas eleições; quem ganha, assume e tenta se manter pelo voto popular”.

O julgamento segue na Primeira Turma da Suprema Corte e pode resultar na condenação de Bolsonaro e outros sete réus do chamado “núcleo 1”, pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros, com penas que somadas podem chegar a 43 anos.

Mais do que um julgamento individual, este processo é um alerta sobre a fragilidade da democracia e a responsabilidade de cada cidadão em proteger os valores conquistados ao longo de décadas, lembrando que a liberdade e o respeito às instituições não podem ser relativizados por interesses de poder.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/STF

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