Professor de Direito Constitucional explica como recursos podem alterar decisões no STF e detalha etapas para definição de penas.
Enquanto o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus pelo chamado “núcleo 1” da trama golpista se desenrola, é importante lembrar que o desfecho ainda não está definido. Mesmo com votos e análises preliminares, existem mecanismos legais que podem modificar o resultado final, segundo o professor de Direito Constitucional da UERJ, Wallace Corbo.
Embargos de declaração e infringentes
Corbo explicou que os embargos de declaração servem para esclarecer pontos obscuros ou contraditórios em um julgamento, raramente mudando o resultado. Já os embargos infringentes podem reverter uma condenação quando há votos favoráveis à absolvição, possibilitando alterações significativas no veredicto final.
Como é definida a pena
O especialista destacou que a definição das penas segue etapas rigorosas. Primeiro são analisadas questões processuais, depois o mérito do caso, que considera os crimes e a participação de cada réu, e por fim a dosimetria, que estabelece a forma de cumprimento da pena. Em situações com múltiplos crimes, os votos da maioria para cada delito são contabilizados separadamente, e até ministros que votaram pela absolvição podem participar da dosimetria de crimes considerados válidos pela maioria.
Documentação, tempo de análise e absorção de crimes
Corbo comentou ainda que as defesas levantaram pontos sobre o volume de provas e o tempo necessário para analisá-las. Ele também explicou o conceito de absorção de crimes, quando um delito engloba outro, resultando na aplicação de apenas uma das penas. Segundo o professor, os juízes têm o dever de responder a cada questionamento da defesa; caso não o façam, é possível recorrer via embargos de declaração.
O julgamento, marcado por intensa complexidade jurídica e repercussão nacional, mostra que a democracia exige paciência e confiança no processo. Cada voto, cada recurso e cada análise é uma peça fundamental para garantir que a Justiça seja feita, lembrando que, mesmo em casos sensíveis, o direito à ampla defesa permanece como um pilar indispensável do Estado de Direito.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação
Reportagem: CNN Brasil













