Ministro do STF aponta que trama golpista no governo Bolsonaro extrapolou planejamento e começou a ser executada.
O julgamento do chamado “núcleo 1” da trama golpista não trouxe apenas debates jurídicos nesta terça-feira (9). O ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu um verdadeiro “spoiler” sobre a postura que pretende adotar em outro caso emblemático: o da “Abin Paralela”. Desde já, o magistrado deixou claro que qualquer tentativa de subverter a democracia não será minimizada.
Aparelhamento da Abin e mensagens reveladoras
Moraes destacou que não há dúvidas sobre o aparelhamento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com a finalidade de executar medidas antidemocráticas. Entre os acusados está o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), então diretor da agência.
O relator chamou atenção para mensagens enviadas por Ramagem ao ex-presidente sugerindo “massificar” a teoria falsa de fraude nas eleições. Segundo Moraes, essas mensagens não são meros papéis ou “diários” pessoais: “Não é mensagem de um delinquente do PCC para outro. É uma mensagem do diretor da Abin para o então presidente da República.” O ministro reforçou que a credibilidade das urnas e a reputação dos ministros do STF foram diretamente atacadas.
Execução da trama golpista e a “Abin Paralela”
Para Moraes, a atuação da chamada “Abin Paralela”: perseguindo adversários políticos e espalhando narrativas contra a democracia, mostra que a trama golpista não ficou apenas no papel, mas começou de fato a ser executada.
O caso é investigado separadamente, mas integra o contexto da ação penal sobre a tentativa de golpe. Mais de 30 pessoas já foram indiciadas pela Polícia Federal, incluindo Ramagem. Embora a PF tenha apontado participação de Bolsonaro no esquema, ele não foi incluído nos indiciamentos porque já responde por organização criminosa na ação do núcleo 1, respeitando a lei que proíbe a dupla responsabilização pelo mesmo fato.
Próximos passos
O relatório da PF já está com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que deve apresentar a denúncia formal até o fim deste ano. Moraes sinalizou que o rigor será o mesmo diante de qualquer tentativa de distorcer a democracia, deixando claro que o Brasil não permitirá banalização de ataques ao Estado de Direito.
Ao reforçar a gravidade do que ocorreu, o relator mostra que o país vive momentos decisivos: a história cobra atenção, e a proteção da democracia depende de que cada passo seja rigorosamente observado e julgado. O julgamento da “Abin Paralela” promete ser mais um marco nessa vigilância pelo futuro democrático do Brasil.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













