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Cármen Lúcia afirma que fatos da denúncia não foram negados e seu voto pode definir condenação de Bolsonaro

Ministra do STF destaca histórico da redemocratização e analisa provas enquanto julgamento do ex-presidente se aproxima do fim.

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu seu voto nesta quinta-feira (11) ressaltando que os fatos descritos na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) não foram negados na essência pelos réus, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao iniciar sua manifestação, ela citou os 40 anos da redemocratização do Brasil e destacou a importância de proteger a República e suas instituições.

Cenário do julgamento

O relator Alexandre de Moraes votou pela condenação de Bolsonaro e dos demais sete réus, com apoio do ministro Flávio Dino, que acompanhou integralmente o voto de Moraes. O magistrado utilizou quase 70 slides para detalhar o relatório, dividido em 13 pontos que narram a atuação da organização criminosa apontada pela PGR.

O ministro Luiz Fux foi o terceiro a votar e determinou a condenação apenas de Mauro Cid e Walter Braga Netto pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, absolvando totalmente os demais seis réus:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Abin;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa.

No momento, o placar para condenação é de 2 a 1, e o voto de Cármen Lúcia pode formar maioria na Primeira Turma. O último a votar será o presidente da Turma, Cristiano Zanin.

Crimes imputados

Os réus respondem a cinco crimes:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave (exceto Ramagem);
  • Deterioração de patrimônio tombado (exceto Ramagem).

A exceção de Ramagem ocorre porque a Câmara dos Deputados suspendeu parte da ação penal contra ele, limitando sua responsabilização a três crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Próximos passos

O julgamento ainda terá duas datas decisivas:

  • 11 de setembro, quinta-feira, das 14h às 19h;
  • 12 de setembro, sexta-feira, das 9h às 12h e 14h às 19h.

O voto de Cármen Lúcia é considerado crucial e poderá definir o destino de Bolsonaro e dos outros réus, enquanto o país acompanha atentamente um momento histórico que combina justiça, política e reflexões sobre a defesa da democracia.

Assista aqui o julgamento ao vivo

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Antônio Augusto/STF

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