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Plano de golpe: especialista aponta que Moraes deve rejeitar recurso da defesa de Bolsonaro

Professor de Direito Constitucional avalia que embargos infringentes não se aplicam ao caso, já que decisão da Primeira Turma do STF não teve divergência qualificada.

A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal segue cercada de expectativa quanto aos próximos passos jurídicos. Para além do impacto político, a questão agora é entender até onde a defesa poderá recorrer e, segundo especialistas, as chances são limitadas.

Recursos possíveis

O professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense, Gustavo Sampaio, explicou que, por se tratar de uma ação penal originária do STF, o caso tem particularidades. Diferente de outros processos criminais, não há duplo grau de jurisdição, já que não existe instância acima do Supremo.

Assim, o primeiro recurso cabível à defesa será o de embargos de declaração, utilizado apenas para esclarecer dúvidas, corrigir lacunas ou contradições do julgamento, sem alterar o mérito da decisão. Enquanto esses embargos forem analisados, os prazos para outros recursos ficam suspensos.

Embargos infringentes fora de questão

A defesa poderia tentar os chamados embargos infringentes, que permitem uma nova análise pelo plenário, mas esse caminho não se aplica ao caso de Bolsonaro. Isso porque a legislação só admite esse recurso quando há divergência qualificada na turma, ou seja, ao menos dois votos contrários ao resultado. Como a condenação do ex-presidente não teve esse cenário, a tendência é que o ministro Alexandre de Moraes rejeite a possibilidade.

Prazos e execução da pena

Segundo Sampaio, o processo deve se estender até novembro ou início de dezembro, quando poderá ocorrer o trânsito em julgado da decisão: momento em que não cabem mais recursos. A partir daí, os condenados pela tentativa de golpe de Estado deverão começar a cumprir suas penas.

O peso histórico da decisão

Mais do que uma questão técnica, o julgamento do STF e os recursos possíveis da defesa de Bolsonaro carregam um peso simbólico para a democracia brasileira. Cada movimentação processual será acompanhada de perto pela sociedade, que se vê diante de uma decisão inédita e histórica. No fim, mais do que discutir as brechas jurídicas, a reflexão que fica é sobre o valor da justiça e a importância de preservar as instituições em tempos de crise.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

Reportagem: CNN Brasil

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