Aliados rejeitam proposta que trate apenas de dosimetria de penas e prometem apresentar texto alternativo ao do relator Paulinho da Força.
O futuro político de Jair Bolsonaro (PL) está em jogo, e seus aliados mais fiéis não estão dispostos a aceitar meias soluções. A bancada bolsonarista no Congresso reafirmou que não apoiará uma proposta de anistia restrita, que apenas reduza a pena imposta pelo STF, e promete insistir em um texto amplo, capaz de reverter o quadro judicial que ameaça a sobrevivência do ex-presidente na arena política.
Resistência ao relator escolhido
A escolha do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) como relator desagradou profundamente o grupo bolsonarista. O temor é que ele concentre sua proposta apenas na “dosimetria” das penas, deixando de lado o desejo da base de aprovar uma anistia total. Caso isso se confirme, os parlamentares já sinalizam que apresentarão um texto substitutivo, tomando como modelo o relatório do deputado Rodrigo Valadares (União-SE), considerado ideal pelos aliados de Bolsonaro.
Reunião reservada com Bolsonaro
O clima foi reforçado em uma reunião entre Bolsonaro e o deputado Sanderson (PL-RS), vice-líder da oposição, realizada na quinta-feira (18). Foram duas horas de conversa, nas quais, segundo Sanderson, Bolsonaro deixou claro que a anistia é “sua única saída”.
O parlamentar relatou ainda preocupação com o estado de saúde do ex-presidente, que estaria fragilizado, enfrentando crises constantes de vômitos e soluços, além de se recuperar da detecção de um câncer de pele. “Ele está acabado e não aguenta dois anos na cadeia”, disse Sanderson, ao revelar um Bolsonaro visivelmente debilitado.
Tensão com o Centrão e aposta nas redes
A irritação da bancada bolsonarista também cresce diante das movimentações da cúpula da Câmara para evitar a anistia ampla. Deputados lembram que já cumpriram sua parte em votações importantes, como a PEC da Blindagem, e agora cobram reciprocidade do Centrão.
Ainda assim, o grupo aposta na força das ruas digitais. Eles avaliam que o engajamento visto nas redes sociais após a votação da urgência da anistia mostra que a direita mobilizada segue sendo uma arma poderosa de pressão política, capaz de influenciar indecisos no Congresso.
Uma decisão que pode marcar a história
No fundo, o impasse em torno da anistia vai muito além da sobrevivência política de Bolsonaro. Ele expõe as feridas abertas do país e os limites da democracia diante de pressões que misturam saúde, justiça e mobilização popular. O desfecho desse debate poderá marcar não apenas o destino do ex-presidente, mas também a memória coletiva de uma nação que ainda busca equilibrar justiça, política e estabilidade.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Metrópoles
Reportagem: CNN Brasil













