Ministro do STF destacou apoio às instituições nos protestos contra a PEC da Blindagem e o projeto da Anistia.
Há momentos em que a voz das ruas ecoa mais alto do que qualquer discurso político. Para o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, os protestos realizados neste domingo (21) contra a PEC da Blindagem e o projeto da Anistia representam exatamente isso: a força viva do povo brasileiro em defesa da democracia.
Apoio ao STF e pacto nacional
Em publicação nas redes sociais, Gilmar ressaltou que a mobilização popular foi marcada por demonstrações de apoio ao STF. Para ele, essa energia democrática precisa se transformar em um grande pacto entre os três Poderes. “Graças à atuação vigilante do STF e à mobilização da sociedade, o Brasil reafirma que não há espaço para rupturas ou retrocessos. Não por acaso, a bandeira que se estendeu nas ruas foi a do Brasil, símbolo maior da nossa soberania e da unidade nacional”, afirmou.
Em diversas capitais, manifestantes levaram bandeiras verdes e amarelas em contraponto aos atos da direita que, em 7 de setembro, chegaram a estender a bandeira dos Estados Unidos em defesa da anistia.
Contexto político e econômico
Os atos também tiveram como pano de fundo a defesa da soberania nacional, em meio à recente tensão comercial com os Estados Unidos. No início de agosto, o presidente norte-americano Donald Trump impôs uma tarifa de 50% a produtos brasileiros, justificando a medida, entre outros pontos, pela atuação do STF na responsabilização das big techs e pelos julgamentos relacionados à trama golpista e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Gilmar aproveitou para reforçar a necessidade de firmeza das instituições contra retrocessos. Ele destacou que crimes contra o Estado Democrático de Direito não são passíveis de perdão. “Cabe às instituições puni-los com rigor e garantir que jamais se repitam”, afirmou.
Recado contra ataques ao Judiciário
O ministro também relembrou o discurso que fez no 7 de setembro, quando reagiu às falas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que havia acusado ministros de tirania. Na ocasião, Gilmar destacou que não existe “ditadura da toga”, e que o Supremo tem atuado como guardião da Constituição, preservando as garantias fundamentais.
A força das ruas
As palavras de Gilmar Mendes ecoam em um momento de tensão institucional, mas também de reafirmação de valores democráticos. Os protestos deste domingo mostraram que, quando a sociedade se organiza, ela é capaz de mandar recados diretos às instituições e de marcar posição diante de projetos que podem comprometer o futuro do país; seja pessoas que se dizem ser de esquerda ou de direita, no fim, fica uma reflexão: a democracia não se fortalece apenas nos tribunais ou nos gabinetes do poder, mas principalmente quando o povo ocupa as ruas e lembra que a soberania sempre nasce de sua própria voz.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













