Pedido de vista adia votação de projeto relatado por Renan Calheiros; na Câmara, Arthur Lira também tenta avançar com proposta semelhante.
O alívio no bolso de milhões de brasileiros que sonham com a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil mensais teve mais um capítulo de adiamento nesta terça-feira (23). O senador Izalci Lucas (PL-DF) pediu vista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e, com isso, a votação do PL 1952/19, relatado por Renan Calheiros (MDB-AL), ficou para esta quarta-feira (24). A medida, de autoria de Eduardo Braga (MDB-AM), propõe que quem recebe até R$ 4.990,00 fique livre da cobrança do IR.
Batalha no Senado
Renan apresentou parecer favorável, defendendo que a proposta corrige “injustiças tributárias históricas” para quem tem renda mais baixa. O senador, no entanto, aproveitou para cutucar a Câmara dos Deputados, ao afirmar que a demora no andamento do projeto semelhante naquela Casa gera “expectativas negativas” na sociedade.
O pedido de vista foi acatado pelo presidente em exercício da CAE, Rogério Carvalho (PT-SE), que já convocou nova reunião para esta quarta-feira, às 11h, com o compromisso de colocar a matéria em votação.
Câmara x Senado: duelo de protagonismo
Enquanto isso, na Câmara, o presidente Arthur Lira (PP-AL) deve apresentar ainda hoje aos líderes partidários o relatório do PL 1087/2025, de autoria do governo federal, que também prevê a isenção do IR até R$ 5 mil.
As duas propostas escancaram não apenas a disputa de projetos, mas também o embate de protagonismo entre Lira e Renan Calheiros, ambos de Alagoas, que historicamente rivalizam no cenário político.
Impacto fiscal e embate eleitoral
O governo estima que a renúncia fiscal com a medida possa chegar a R$ 25 bilhões anuais, valor que ainda não tem fonte de compensação definida. Esse ponto trava parte das discussões na Câmara, mas não impediu que Lira buscasse capitalizar a autoria e a condução da proposta.
Segundo apuração da CNN Brasil, Lula trabalha nos bastidores para diminuir o fogo cruzado entre Lira e Calheiros, de olho nas eleições de 2026. O petista tenta construir uma aliança improvável que reúna os dois no mesmo palanque ao Senado. Um gesto nesse sentido já foi feito recentemente: a indicação da procuradora Maria Marluce Caldas Bezerra, tia do prefeito de Maceió, ao STJ: movimento que fortalece o grupo político de Lira e abre espaço para composição.
O que está em jogo
Para além da queda de braço entre Câmara e Senado, o que realmente está em disputa é o poder de anunciar ao país uma das medidas mais populares em tempos de arrocho: a correção da tabela do Imposto de Renda.
Seja sob a assinatura de Lira, Renan ou do próprio governo, a proposta carrega forte apelo eleitoral e pode se tornar um divisor de águas na relação entre Congresso e Planalto nos próximos meses. Afinal, para quem sobrevive com menos de R$ 5 mil por mês, o que importa é sentir o alívio imediato no contracheque e não quem assina a vitória.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Senado Federal













