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Nova regra do Imposto de Renda amplia isenção, mas classe média seguirá pagando

Projeto aprovado na Câmara isenta quem ganha até R$ 5 mil, mas congelamento da tabela mantém 34% dos contribuintes na base de cobrança.

Para quem vive com o orçamento apertado, cada centavo faz diferença. A votação da Câmara nesta quarta-feira (1º) trouxe uma notícia que pode aliviar o bolso de milhões de brasileiros: a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Agora, quem ganha até R$ 5 mil por mês ficará totalmente livre da cobrança, e aqueles que recebem até R$ 7.350 terão descontos progressivos.

A proposta foi aprovada por unanimidade pelos deputados e segue para análise no Senado Federal. Caso passe sem alterações, representará um dos maiores ajustes na tabela do IR dos últimos anos, mudando a realidade de milhões de contribuintes.

Quem ganha e quem perde

De acordo com dados da Receita Federal, cerca de 65% dos declarantes deixarão de pagar Imposto de Renda a partir de 2026. No entanto, 34% da classe média continuará na base de cobrança, já que a tabela não é corrigida desde 2015, acumulando uma defasagem superior a 150% em relação à inflação.

Hoje, entre os 45,7 milhões de declarantes, 77,8% pagam algum valor de IR, seja via retenção na fonte ou complementação, enquanto apenas 21,2% estão isentos. Com a nova regra, essa proporção se inverte: a maioria passa para a faixa de isenção.

Como ficará a tabela do IR

Pela nova configuração:

  • Até R$ 5.000 – isenção total
  • De R$ 5.001 até R$ 7.350 – descontos gradativos
  • Acima de R$ 7.350 – tributação normal, sem abatimentos

Na prática, trabalhadores que ganham um pouco acima da isenção, mas abaixo do teto, pagarão menos imposto do que hoje.

Quem vai bancar a mudança

Para compensar a perda de arrecadação, o projeto concentra a cobrança nos mais ricos. A partir de 2027, será aplicada uma alíquota mínima de 10% sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil. Além disso, lucros e dividendos mensais acima de R$ 50 mil terão retenção de 10% na fonte, medida que atinge apenas cerca de 1% dos contribuintes.

O parecer relatado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL) também prevê que Estados e municípios terão recomposição financeira caso haja queda na arrecadação, com repasses trimestrais da União.

Uma correção ainda pendente

Apesar do avanço, especialistas lembram que a falta de atualização periódica da tabela é o principal motivo de distorções, que fazem com que trabalhadores de baixa e média renda, antes fora da base, passem a pagar imposto. O texto prevê que, em até um ano, o Executivo apresente ao Congresso uma política nacional de atualização do IRPF para tentar evitar novos congelamentos.

Mais que números, vidas

Essa mudança não é apenas técnica ou fiscal. Ela carrega o peso da vida real de milhões de pessoas que contam cada moeda para fechar o mês. O desafio agora é garantir que as futuras gerações não enfrentem novamente a mesma distorção, em que a inflação corrói salários e empurra famílias para a cobrança injusta. Porque, no fim das contas, justiça tributária é também justiça social.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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