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Porto Velho faz aniversário: 111 de histórias e raízes que resistem ao tempo

Da criação às margens do rio Madeira às marcas culturais atuais, capital rondoniense preserva memórias e simbolismos que moldaram sua trajetória.

Porto Velho chega aos seus 111 anos nesta quinta-feira (2) carregando lembranças de um passado intenso e a força de um presente que se reinventa. Mais do que números e datas, cada detalhe de sua origem traduz o espírito de uma cidade que nasceu entre rios, trilhos e lendas, mas que segue crescendo como capital que guarda histórias de luta, resistência e diversidade.

O nascimento da capital

Criada às margens do rio Madeira, Porto Velho surgiu em um ponto estratégico para navegação e geração de energia. Em 2 de outubro de 1914, a Lei nº 756, aprovada pela Assembleia Legislativa do Amazonas, oficializou sua criação, desmembrando-a de Humaitá.

Em 1943, Porto Velho e Guajará-Mirim passaram a integrar o Território Federal do Guaporé, que em 1956 se transformaria em Rondônia, elevado à condição de Estado em 1981.

A origem do nome

O nome da capital é cercado de curiosidades. O pesquisador Antônio Cândido da Silva registrou no livro Enganos da Nossa História a hipótese de que “Porto Velho” estaria ligado ao “Porto do Velho Pimentel”, um lenhador que fornecia madeira a navios a vapor durante o Ciclo da Borracha. No entanto, como lembra o historiador Aleks Palitot, não há documentos que confirmem a existência desse personagem, o que transformou a narrativa em uma lenda popular.

De rota militar a trilhos da EFMM

Durante a Guerra do Paraguai, em 1865, a região tornou-se estratégica por conectar o Mato Grosso aos rios Guaporé, Mamoré e Madeira. Por ordem de Dom Pedro II, foi instalada uma guarnição militar próxima ao que mais tarde se tornaria o pátio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Relatórios de Marechal Rondon e Oswaldo Cruz já se referiam ao local como “Porto Velho Militar” ou “Porto dos Militares”. Com a vitória brasileira, iniciou-se a construção da EFMM em 1872, trazendo consigo o porto moderno de Santo Antônio, implantado por uma empresa inglesa. Foi nesse contexto que surgiram as expressões “Porto Novo” e “Porto Velho”.

O inglês como língua oficial

Segundo o memorialista Anísio Gorayeb, a criação do município trouxe um impasse curioso: o inglês era o idioma predominante, usado em documentos da ferrovia e até no primeiro jornal local, The Porto Velho Times. Para organizar a administração, uma cerca foi instalada na chamada “Rua Divisória”:hoje avenida Presidente Dutra, separando a gestão municipal da direção da EFMM.

População e crescimento

Atualmente, Porto Velho tem população estimada em 517.709 habitantes, segundo o IBGE, sendo a terceira capital mais populosa da região Norte e a única do país a fazer fronteira direta com outro país, a Bolívia.

Com mais de 34 mil km² de área, é dividida em 75 bairros distribuídos pelas zonas Sul, Leste, Norte e Oeste. A primeira eleição municipal aconteceu em 1916, elegendo o médico Joaquim Augusto Tanajura, que assumiu em janeiro de 1917 e consolidou o prédio da Prefeitura na rua José Bonifácio como centro administrativo.

Patrimônio e identidade cultural

Entre seus símbolos históricos estão a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, as Três Caixas D’Água e o Cemitério da Candelária. Ao longo dos anos, novos espaços foram incorporados à vida cultural, como o Mercado Cultural, o Espaço Alternativo, o Memorial Jorge Teixeira e o Teatro Estadual Palácio das Artes.

A diversidade de Porto Velho é fruto da miscigenação de povos vindos de várias partes do Brasil. Essa pluralidade se reflete em tradições como o Arraial Flor do Maracujá, os festivais de praia e o desfile da irreverente Banda do Vai Quem Quer, que há décadas dá o tom do carnaval da capital.

Mais que uma cidade, um sentimento

Porto Velho é feita de contrastes: antiga e moderna, simples e grandiosa, real e lendária. Ao completar 111 anos, a capital rondoniense se afirma não apenas como espaço urbano, mas como lugar de memória e afeto para quem nasceu, cresceu ou escolheu viver aqui. Afinal, mais do que marcos históricos, Porto Velho é o retrato vivo de uma identidade que segue pulsando no coração de sua gente.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Diário Popular do Brasil

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