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Defesas de réus do núcleo 2 pedem absolvição por participação em plano de golpe de Estado

Alegações finais foram entregues ao STF; julgamento do grupo está previsto para dezembro.

O clima no Supremo Tribunal Federal (STF) se mantém tenso e carregado de expectativa. As defesas dos sete réus do núcleo 2 do inquérito sobre o plano de golpe de Estado apresentaram suas alegações finais nesta terça-feira (7), pedindo a absolvição diante das acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR). Para advogados e familiares, é um momento decisivo, em que palavras e argumentos podem definir o destino daqueles envolvidos em uma das maiores investigações de segurança e política do país.

Principais pedidos de absolvição

Entre os réus, Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, pediu absolvição total e contestou a validade de provas digitais obtidas em seus aparelhos eletrônicos. Seus advogados argumentam que houve cerceamento de defesa, apontando a negativa de realização de perícia judicial e questionando a competência da Primeira Turma do STF. Eles destacam o histórico do ex-diretor, ressaltando sua dedicação ao serviço público e respeito às leis.

Já a defesa de Fernando de Sousa Oliveira, delegado da PF e ex-secretário adjunto de Segurança Pública do DF, solicitou que o caso seja remetido à Justiça Comum ou que ele seja reconhecido como participante de menor importância. Os advogados afirmam que não há provas de envolvimento criminoso direto nas ações atribuídas à organização.

O general Mário Fernandes, ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, também teve sua defesa protocolada, pedindo absolvição de todos os crimes imputados ou, na pior hipótese, que sua pena seja inferior à do núcleo 1, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu 27 anos e três meses de prisão.

Outros réus e recursos

Para Marília Ferreira de Alencar, delegada da PF e ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, a defesa argumenta que a servidora agiu dentro de suas funções e que não há prova de dolo em suas ações.

As defesas de Filipe Martins e Marcelo Câmara optaram por medidas diferentes. Martins apresentou uma petição incidental questionando a inclusão de provas recentes e pedindo prazo para se manifestar. Câmara aguarda a realização de diligências complementares, incluindo a verificação do convite da diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerado relevante para contextualizar seu envolvimento.

Calendário dos julgamentos

A fase de alegações finais marca o último passo antes de o relator, ministro Alexandre de Moraes, liberar o caso para julgamento. A Primeira Turma do STF já tem datas definidas para analisar outros núcleos da trama: núcleo 4 nos dias 14, 15, 21 e 22 de outubro, e núcleo 3 nos dias 11, 12, 18 e 19 de novembro. A expectativa é que os réus do núcleo 2 sejam julgados em dezembro.

Este momento é delicado, pois não se trata apenas de números ou acusações, mas de vidas e reputações em jogo. Para os envolvidos, familiares e sociedade, cada decisão tomada pelo STF será determinante, e o desfecho desse julgamento carregará impactos que vão muito além das paredes do tribunal, refletindo sobre a confiança no sistema de Justiça e na preservação do estado democrático.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Antônio Augusto/STF

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