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Setor industrial apoia decisão da Câmara e chama derrubada da MP do IOF de “correta”

Confederação Nacional da Indústria diz que aumento de impostos sufocaria o setor produtivo e elevaria preços ao consumidor

A reação da indústria brasileira à queda da Medida Provisória que tratava do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) foi imediata e de alívio. Para o setor produtivo, a decisão do Congresso representou um freio em mais uma tentativa de aumento da carga tributária, que, segundo empresários, ameaça a competitividade e o poder de compra dos brasileiros.

CNI elogia decisão dos deputados

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota nesta quinta-feira (9) classificando como “correta” a decisão dos deputados de retirar de pauta a MP com alternativas ao aumento do IOF. O texto, proposto pelo governo federal, também previa elevar o Imposto de Renda sobre juros de capital próprio (JCP): pagos por empresas a seus acionistas, de 15% para 20%, o que gerou forte resistência no setor.

“Para a CNI, a decisão é correta, uma vez que esse aumento de carga tributária elevaria os preços dos produtos e serviços para toda a sociedade”, afirmou a entidade em comunicado.

“Setor produtivo está sufocado”, diz presidente da CNI

O presidente da confederação, Ricardo Alban, reforçou que a indústria brasileira já vem sendo pressionada por altas sucessivas nos juros e nos impostos. Segundo ele, a derrubada da MP foi um ato de responsabilidade por parte do Congresso, que evitou mais um impacto negativo na economia real.

“A Câmara dos Deputados evitou mais um aumento de carga tributária, deixando o setor produtivo menos sobrecarregado para contribuir para o crescimento do país. Os parlamentares agiram com responsabilidade, pois o aumento do IOF afetaria toda a sociedade e atingiria diretamente o consumidor brasileiro”, destacou Alban.

Polêmica com apostas esportivas

Ricardo Alban também criticou o trecho da MP que retirava o aumento na taxação das bets (casas de apostas). Segundo ele, o texto, como estava redigido, criava uma distorção injusta entre o setor produtivo e o mercado de apostas.

“Este seria mais um duro golpe na indústria nacional, enquanto as bets, por outro lado, seriam poupadas”, declarou o presidente da CNI, em referência ao tratamento desigual proposto pela medida.

Proposta perde validade

O plenário da Câmara retirou a medida de pauta, inviabilizando sua votação antes do prazo final. Com isso, a MP perdeu a validade e o governo teve mais uma derrota importante em sua tentativa de ampliar a arrecadação para 2025 e 2026.

Enquanto o Palácio do Planalto estuda novas alternativas, a indústria comemora um respiro, ainda que momentâneo, diante da alta carga tributária e das incertezas fiscais do país.

Reflexão que fica

A queda da MP do IOF vai além da disputa entre governo e oposição: é um retrato da tensão permanente entre quem produz e quem arrecada. A indústria celebra o alívio, mas o debate sobre como equilibrar as contas públicas sem sufocar o crescimento segue em aberto. No fundo, o desafio é encontrar um caminho que permita ao Brasil crescer sem punir quem mantém a roda da economia girando.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Gilberto Sousa/CNI

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