Relator cogitou convocar Frei Chico, irmão do presidente, e provocou reação de parlamentares durante depoimento de sindicalista.
A sessão da CPMI do INSS, realizada nesta quinta-feira (9), foi marcada por momentos de tensão e troca de acusações entre parlamentares. O tumulto começou quando o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sugeriu a possibilidade de convocar o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso o depoente da vez; o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), Milton Baptista de Souza Filho, continuasse em silêncio.
Durante o depoimento, Milton Baptista evitou responder à maioria das perguntas, o que levou o relator a insistir sobre a participação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindnapi.
Tensão e trocas de acusações
Gaspar afirmou que o silêncio do depoente poderia “trazer o irmão do presidente da República para depor” na comissão. A declaração gerou reação imediata do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que acusou o relator de tentar intimidar o depoente. “Quem decide se alguém será ouvido aqui é o plenário da comissão”, rebateu Pimenta.
O Sindnapi tem sido alvo constante da oposição por sua ligação com Frei Chico. Apesar de haver requerimentos para sua convocação, o pedido ainda não foi aprovado pela comissão, que tem priorizado a oitiva de autoridades e presidentes das entidades envolvidas nas investigações.
Sindnapi é alvo da Operação Sem Desconto
A tensão ocorre em meio a novas ações da Polícia Federal. Nesta quinta-feira, a PF deflagrou mais uma fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de fraudes em consignados do INSS. O Sindnapi está entre os alvos da operação, que também conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
Os investigadores apuram repasses que cresceram 564% em cinco anos: de R$ 23,2 milhões em 2020 para R$ 154,7 milhões em 2024. O aumento expressivo dos valores chamou atenção da CPMI, que tenta entender como esses recursos foram movimentados e utilizados pela entidade.
Em nota, o sindicato afirmou ter recebido “com surpresa” as buscas da PF e disse repudiar “quaisquer alegações de irregularidades ou descontos indevidos de seus associados”.
Pressões políticas e desgaste crescente
O episódio desta quinta reforça o clima de tensão política em torno da CPMI, que tenta avançar nas apurações enquanto enfrenta impasses e disputas entre governo e oposição. A menção ao irmão de Lula, somada ao contexto das investigações, adiciona combustível a um debate que promete se intensificar nas próximas sessões.
Mais do que um embate político, o momento expõe a fragilidade das relações dentro da comissão: onde cada silêncio, palavra ou gesto pode acender um novo foco de conflito. (veja a íntegra do comunicado abaixo).
O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI), por meio de seus advogados, manifesta sua surpresa com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje em sua sede em São Paulo, bem como na casa de seu Presidente e alguns Diretores, em operação deflagrada pela Polícia Federal em nova fase da “Operação Sem Desconto”.
Esclareça-se que os advogados não tiveram acesso ao inquérito policial, ao conteúdo das razões da representação policial ou dos fundamentos da decisão que autorizou a deflagração da medida cautelar, mas reitera seu absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados.
A exemplo do procedimento adotado nas demais demandas judiciais, o SINDNAPI comprovará a lisura e legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e respeito que são devidos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil
Reportagem: CNN Brasil













