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Lula deve indicar Jorge Messias ao STF, mas nome enfrenta resistências no Senado e entre ministros da Corte

Favoritismo do atual advogado-geral da União é visto como certo nos bastidores, mas aprovação exigirá articulação política intensa e superação de preferências por Rodrigo Pacheco.

A provável escolha de Jorge Messias, atual advogado-geral da União (AGU), para ocupar a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) é considerada quase certa dentro do governo, mas o nome enfrenta resistências tanto no Senado Federal quanto entre alguns ministros da própria Corte.

De acordo com informações da analista Isabel Mega, no CNN Novo Dia, Messias aparece como o favorito de Lula, mas sua indicação exigirá uma articulação política cuidadosa. A aposentadoria de Barroso, publicada no Diário Oficial da União e válida a partir deste sábado (18), pressiona o Planalto a acelerar o anúncio do sucessor, com expectativa de que a sabatina ocorra já em novembro.

No Senado, onde a aprovação dependerá de maioria simples, cresce a mobilização em torno do nome do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Pacheco é visto como um candidato de consenso por sua boa relação com os senadores e trânsito consolidado no STF, o que o torna um concorrente de peso. Além disso, ministros da Corte manifestaram preferência por um nome com “maior musculatura institucional” para lidar com o atual cenário de tensão entre os Poderes.

Mesmo diante das resistências, Messias tem cultivado pontes importantes. À frente da AGU, ganhou reconhecimento por fortalecer a atuação técnica do órgão e por sua postura em defesa de pautas relacionadas a direitos de minorias. Sua relação com os ministros do Supremo também é vista como positiva: discreta e respeitosa, algo que pesa a seu favor nos bastidores da Corte.

A condução política da indicação passará pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por organizar a sabatina. Alcolumbre, porém, é aliado direto de Pacheco, o que adiciona um obstáculo à aprovação de Messias. Ainda assim, fontes do Planalto acreditam que Lula só oficializará o nome quando tiver votos suficientes para garantir a aprovação.

Nos bastidores, a discussão sobre a ausência de mulheres no STF voltou à tona. Aliados do governo argumentam que Lula priorizou mulheres em outras instâncias do Judiciário, como o STJ e tribunais regionais, e que a representatividade feminina poderá ser contemplada em futuras vagas na Suprema Corte.

Com resistências políticas e expectativas institucionais em jogo, a escolha de Jorge Messias promete testar a força de articulação de Lula e revelar o equilíbrio que o governo pretende manter entre fidelidade, competência técnica e governabilidade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Jornal Panorama

Reportagem: CNN Brasil

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