Processo que investiga suposto abuso de poder político e econômico deve começar na terça-feira (4), mas plenário tende a ficar dividido.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve enfrentar um possível adiamento na ação que pode levar à cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). O julgamento está marcado para terça-feira (4), mas fontes da Corte apontam que um pedido de vista é esperado, o que pode postergar a decisão final.
Segundo interlocutores do TSE, a ação entrou na pauta muito próxima da data do julgamento, dificultando que os ministros estudem todos os autos com a profundidade necessária. Além disso, nos bastidores, o caso é considerado complexo e controverso, e a expectativa é de um plenário dividido.
Placar previsto e votação da relatora
Estima-se que o resultado final possa ficar em torno de 4 votos a 3, e a atenção está voltada para a relatora do processo, ministra Isabel Gallotti, que será a primeira a se manifestar. Após a leitura de seu voto, algum ministro deve pedir vista; o ministro Nunes Marques é apontado como o mais provável a fazê-lo, já que retorna a Brasília somente na terça-feira.
Acusações da PGE
A ação da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) acusa Castro de abuso de poder político e econômico durante a campanha de 2022. De acordo com a denúncia, o governador teria operacionalizado contratações na Fundação Ceperj, de forma que os servidores atuassem informalmente como seus cabos eleitorais.
A PGE aponta que as contratações não se justificavam como emergenciais, questiona o quadruplicamento de recursos públicos e a ausência de planos de trabalho ou metas definidas. A defesa de Castro, no entanto, nega irregularidades e sustenta que tudo ocorreu dentro da legalidade.
Contexto político e pressão
A definição da data do julgamento ocorreu um dia após a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em mais de 100 mortes e colocou Castro sob intensa pressão política. O TSE, entretanto, nega qualquer correlação entre os fatos.
A pauta teria sido incluída por Gallotti, que encerra seu mandato no TSE em menos de um mês, e precisa dar andamento aos processos de sua relatoria pendentes.
Entre a justiça e a política
O caso coloca em evidência o delicado equilíbrio entre decisão judicial e pressão política. Enquanto o plenário se prepara para analisar acusações graves contra Castro, a sociedade acompanha atenta, consciente de que o desfecho poderá impactar não apenas o Rio de Janeiro, mas o cenário político nacional, em um momento de alta tensão e polarização.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/Governo do Rio de Janeiro













