Governador de São Paulo é mais um aliado a solicitar encontro com o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar há 100 dias.
Cem dias se passaram desde que Jair Bolsonaro trocou os palanques e os discursos inflamados pelo silêncio imposto de uma prisão domiciliar. Agora, isolado e limitado pelas medidas judiciais, o ex-presidente tenta reatar laços com antigos aliados, entre eles; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, um dos nomes mais próximos e politicamente estratégicos para seu grupo.
Pedido de visita ao ministro Alexandre de Moraes
A defesa de Bolsonaro protocolou nesta terça-feira (11) um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que Tarcísio possa visitá-lo “na data mais breve possível”. O documento afirma que o objetivo do encontro é permitir um diálogo pessoal “em razão da necessidade de conversa direta com o Peticionante”.
Nas últimas semanas, o ministro Moraes tem autorizado visitas ao ex-presidente apenas em dias específicos e mediante avaliação caso a caso. Cada nome precisa de liberação individual, e as visitas são realizadas em sua residência, sob rígido controle judicial.
Outras visitas e medidas restritivas
Além de Tarcísio, a defesa de Bolsonaro já havia pedido autorização para que o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também pudessem encontrá-lo. O ex-presidente está proibido de manter contato com outros investigados e de utilizar celular ou redes sociais.
Mesmo em prisão domiciliar, Bolsonaro continua a ser uma figura central no debate político. Condenado a 27 anos de prisão pelo envolvimento em um plano de golpe de Estado, ele permanece em casa devido ao descumprimento de medidas restritivas anteriores impostas no inquérito que apura a atuação de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), contra o sistema Judiciário.
Silêncio e cálculo político
Nos bastidores, a movimentação de aliados para vê-lo é interpretada como tentativa de reorganizar o campo bolsonarista, que segue dividido entre a defesa do ex-presidente e o avanço de novas lideranças da direita. A aproximação de Tarcísio, por exemplo, é vista como gesto simbólico de fidelidade e também como estratégia para calibrar os rumos do grupo em meio às incertezas jurídicas e eleitorais.
Bolsonaro, que sempre viveu cercado de multidões e holofotes, agora experimenta o peso do isolamento e da espera. Cada visita solicitada, cada palavra autorizada, é medida em silêncio e cautela. No cenário político brasileiro, no entanto, o eco de sua influência segue ressoando como um lembrete de que, mesmo confinado, ele ainda une forças e movimenta articulações, definindo os rumos da política no tabuleiro no campo da direita brasileira.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo













