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PL Antifacção enfraquece guerra ao crime e ameaça segurança, alerta Lula

Presidente afirma que a proposta aprovada na Câmara altera pontos-chave do projeto original e pode dificultar o combate ao crime organizado.

Em um momento em que o país inteiro sente o medo crescer diante da força de facções e milícias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) jogou luz sobre um alerta importante. Segundo ele, o PL Antifacção aprovado pela Câmara dos Deputados não reforça a luta contra o crime, mas faz exatamente o contrário: enfraquece o enfrentamento e cria insegurança jurídica.

O presidente disse que pontos centrais do projeto enviado pelo governo foram modificados e defendeu mudanças no Senado antes que a proposta avance.

Reação do Planalto

Lula afirmou publicamente que o texto aprovado pela Câmara pode favorecer justamente quem tenta escapar da lei. Em declaração na rede X, ele afirmou que trocar o certo pelo duvidoso, neste caso, não ajuda o Estado, mas beneficia quem deseja se esconder por trás do sistema.

A crítica do governo veio poucas horas depois da votação que encerrou o debate na Câmara na noite de terça-feira, 19. O PL foi aprovado por 370 votos a 110 e agora segue para análise dos senadores, onde será relatado por Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe. O texto votado foi o sexto apresentado pelo relator na Câmara, o deputado Guilherme Derrite, do PP de São Paulo.

O que mudou no PL aprovado pela Câmara

O Projeto Antifacção prevê penas mais rigorosas para crimes ligados a facções criminosas e milícias, além de endurecer o acesso à progressão de pena. Entre as mudanças previstas estão:

Penas aumentadas

  • Homicídio: 20 a 40 anos
  • Latrocínio: 20 a 40 anos
  • Lesão seguida de morte: 20 a 40 anos
  • Sequestro: 12 a 20 anos
  • Roubo: 12 a 30 anos
  • Extorsão: pena triplicada
  • Extorsão mediante sequestro: pena aumentada em dois terços

Além disso, a progressão de pena para determinados crimes poderá exigir cumprimento entre 70% e 85% do total da condenação. O texto também obriga envio de chefes de facções para presídios federais de segurança máxima.

Tipificação de novos crimes

A proposta reconhece novas modalidades de atuação criminosa, como:

  • Domínio territorial
  • Ataques com explosivos
  • Uso de drones
  • Ataques à infraestrutura
  • Ações do chamado novo cangaço

Bloqueio imediato de bens

Outra mudança importante é a autorização para que o Estado bloqueie dinheiro, imóveis, veículos, criptomoedas e empresas de investigados em fase de investigação ou ação penal. O bloqueio poderá ser determinado por um juiz ou a pedido do Ministério Público, e os valores apreendidos poderão ser destinados à União, aos estados ou ao Distrito Federal.

Intervenção em empresas suspeitas

Se houver indícios de que uma empresa esteja sendo beneficiada por organização criminosa, um juiz poderá afastar imediatamente os sócios e determinar intervenção judicial. O interventor terá poder para:

  • Suspender contratos e atividades
  • Desligar investigados
  • Realizar auditorias
  • Promover ações de recuperação ou liquidação
  • Destinar valores a uma conta judicial vinculada

Investigação mais ampla

O texto ainda libera, em casos excepcionais, o monitoramento de parlatórios em presídios, as salas onde advogados conversam com clientes detidos. Medidas sigilosas deverão permanecer protegidas até o cumprimento, e agentes que vazarem informações poderão ser punidos, sob supervisão do CNJ e do CNMP.

Haddad critica e diz que PL prejudica a Polícia Federal

As críticas dentro do governo não ficaram restritas ao presidente. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o PL aprovado asfixia financeiramente a Polícia Federal, e não o crime organizado. Segundo ele, diversos pedidos do governo federal não foram contemplados no texto final, o que enfraquece a capacidade de investigação e inteligência do Estado.

Para Haddad, o projeto acaba retirando recursos da PF, que é justamente a instituição mais necessária para atacar as finanças de facções e milícias.

No fim, o que está em jogo

Enquanto o texto segue para o Senado, cresce o debate sobre qual tipo de proteção o país quer construir. Para o governo, o endurecimento das penas sem segurança jurídica e sem reforço estrutural pode apenas empurrar o Brasil para uma ilusão de rigor. Para quem vive nas cidades, sente o peso da violência e torce por justiça, o que se espera é uma lei que proteja quem está do lado certo. Porque, numa guerra como essa, não basta punir: é preciso impedir que o crime continue vencendo antes mesmo do próximo disparo.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Brasil – EBC

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