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Após alta hospitalar, Bolsonaro deixa unidade médica, coloca tornozeleira e inicia prisão domiciliar por 90 dias

Ex-presidente recebeu alta nos dias 26 e 27 após duas semanas internado com broncopneumonia; decisão do STF autoriza recuperação em casa sob monitoramento rigoroso e restrições severas.

Depois de dias marcados por incertezas, internação em UTI e preocupação com o estado de saúde, o ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o hospital e iniciou uma nova etapa que mistura recuperação médica e restrições judiciais. A alta, concedida entre os dias 26 e 27, não significou liberdade plena, mas sim uma transição delicada para a prisão domiciliar, cercada de cuidados, regras e vigilância constante.

A decisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou o cumprimento da medida por 90 dias. O pedido da defesa foi respaldado pela Procuradoria-Geral da República, sob o entendimento de que o quadro clínico exige acompanhamento contínuo em ambiente familiar.

Alta hospitalar e início do monitoramento

Bolsonaro deixou o hospital na manhã do dia 26, após instalar uma tornozeleira eletrônica às 8h45 e sair da unidade por volta das 9h45. O equipamento passou a monitorá-lo em tempo real, marcando o início oficial da prisão domiciliar.

Internado desde o dia 13 no Hospital DF Star, em Brasília, o ex-presidente enfrentou um quadro de broncopneumonia, chegando a permanecer mais de uma semana na UTI. Durante esse período, apresentou sintomas como febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese e calafrios.

Diagnóstico e evolução clínica

Os médicos identificaram uma pneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração, causada pela aspiração de líquido do estômago. Após uma fase crítica, Bolsonaro apresentou melhora gradual e foi transferido, ainda na UTI, para um protocolo considerado mais adequado ao quadro clínico.

A saída da terapia intensiva ocorreu na noite do dia 25, quando ele foi levado para um quarto hospitalar. No dia seguinte, já com quadro estabilizado, recebeu alta para continuar o tratamento em casa.

Regras rígidas impostas pelo STF

Mesmo fora do ambiente prisional, Bolsonaro segue submetido a uma série de restrições determinadas pelo STF. Entre as principais medidas estão o uso obrigatório da tornozeleira eletrônica, o envio de relatórios médicos semanais e a proibição de sair de casa, exceto em casos de atendimento médico autorizado.

A decisão também determina incomunicabilidade total. O ex-presidente não pode utilizar celular, telefone, redes sociais ou qualquer outro meio de comunicação, nem mesmo por intermédio de terceiros. Além disso, está proibida a realização de manifestações ou aglomerações em um raio de um quilômetro de sua residência.

Outro ponto previsto é a retomada da segurança pessoal, com agentes autorizados, desde que previamente cadastrados junto ao Supremo. Qualquer descumprimento das regras pode levar à revogação imediata da prisão domiciliar.

Tratamento continua em casa

A recuperação agora segue sob um plano rigoroso. Segundo o cardiologista Brasil Caiado, Bolsonaro precisará de fisioterapia motora e respiratória praticamente diária, além de medicação, dieta controlada e um programa de reabilitação cardiopulmonar.

O tratamento inclui exercícios respiratórios com aparelhos e atividades físicas leves, como caminhada em esteira ou uso de bicicleta. Apesar da melhora, os médicos ainda evitam afirmar que o ex-presidente está completamente curado, mantendo atenção para possíveis complicações, como o desenvolvimento de fibrose pulmonar.

Entre a recuperação e o julgamento da história

O retorno para casa, embora cercado de cuidados médicos, também carrega o peso das decisões judiciais e do momento político vivido. Entre limitações, silêncio imposto e a necessidade de recuperação física, Bolsonaro atravessa um dos períodos mais delicados de sua trajetória pública.

No fim das contas, mais do que um episódio clínico ou jurídico, o momento expõe a fragilidade humana por trás de uma figura central da política brasileira e convida o país a refletir sobre os caminhos que unem poder, responsabilidade e as inevitáveis pausas que a vida impõe.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters e Reprodução CNN Brasil

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