Restrições impostas em 25 de março limitam articulação direta do ex-presidente e redesenham estratégia política durante prisão domiciliar.
Longe dos holofotes e com a liberdade restrita, o ex-presidente Jair Bolsonaro tenta manter viva sua influência política em um momento decisivo. Sem poder receber aliados como fazia antes, ele agora precisa reorganizar sua estratégia e confiar em quem está mais próximo.
Com as limitações impostas após a decisão desta terça-feira (24) do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro deve repassar orientações eleitorais por meio do filho, o senador Flávio Bolsonaro, escolhido como seu principal porta-voz ainda no fim do ano passado.
Articulação política sofre impacto direto
A nova realidade imposta pela prisão domiciliar altera de forma significativa o papel de Jair Bolsonaro no tabuleiro político. Durante o período em que esteve na chamada Papudinha, em Brasília, ele manteve uma rotina intensa de encontros com aliados, definindo estratégias e influenciando disputas eleitorais em diferentes estados.
Foi nesse contexto que decisões importantes foram tomadas, como a orientação para que Hélio Bolsonaro transferisse seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Roraima, com o objetivo de disputar uma vaga no Senado.
Agora, com visitas restritas, esse tipo de articulação direta se torna inviável, exigindo uma nova dinâmica de comunicação política.
Michelle ganha protagonismo nos bastidores
Se por um lado Flávio Bolsonaro assume o papel de interlocutor político, por outro, quem deve exercer forte influência no dia a dia é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Dentro do Partido Liberal, lideranças já projetam possíveis atritos envolvendo Michelle, especialmente em disputas regionais. No Ceará, por exemplo, ela defende o nome de Priscila Costa para fortalecer o partido no estado.
No entanto, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, tem planos diferentes para as alianças locais, o que já provocou tensões públicas com membros da família Bolsonaro.
Restrições e regras de visitas
A decisão de Alexandre de Moraes, tomada em 25 de março, impôs limites rigorosos às visitas, sob a justificativa de preservar a saúde do ex-presidente e evitar riscos de infecção.
Os filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro têm autorização permanente, mas precisam seguir horários específicos: às quartas-feiras e sábados, entre 8h e 10h, 11h e 13h ou 14h e 16h.
No fim, o que se desenha é uma liderança que, mesmo distante fisicamente, tenta se manter presente nas decisões políticas. Entre limitações impostas pela Justiça e disputas internas, o cenário revela que o poder, quando não pode mais ser exercido diretamente, encontra outros caminhos, nem sempre silenciosos, mas sempre decisivos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Revista Veja













