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Bolsonaro presta depoimento relâmpago à Polícia Civil sobre arma apreendida em blitz

Ex-presidente confirmou que pediu o conserto de uma pistola registrada em seu nome; investigação busca esclarecer como o armamento foi parar em veículo conduzido por um militar do Exército.

Uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a colocá-lo no centro de uma investigação. Em um depoimento que durou apenas cinco minutos, Bolsonaro prestou esclarecimentos à Polícia Civil do Distrito Federal sobre o armamento apreendido durante uma blitz de trânsito, em um caso que levanta questionamentos sobre a circulação e a guarda da pistola.

Segundo informações apuradas pela CNN, o ex-presidente confirmou aos investigadores que a arma estava em sua residência, em Brasília, e que havia solicitado o reparo do equipamento após identificar uma falha em seu funcionamento. O conserto teria sido confiado a um militar do Exército com conhecimento técnico na área.

O que Bolsonaro disse aos investigadores

De acordo com a investigação, Bolsonaro afirmou que a pistola apresentava problemas mecânicos e, por isso, foi entregue ao segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho para avaliação e manutenção.

A defesa sustenta que não houve qualquer irregularidade na conduta do ex-presidente. Os advogados argumentam que o armamento continua legalmente registrado em nome de Bolsonaro e que não existe determinação judicial exigindo a entrega de suas armas ou o cancelamento dos respectivos registros.

Em manifestação encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa também informou que integrantes da equipe de segurança do ex-presidente teriam retirado, sem seu conhecimento prévio, o percussor da pistola, peça fundamental para o disparo.

Segundo os advogados, a medida teria sido adotada por precaução devido ao uso de medicamentos psiquiátricos por Bolsonaro, que poderiam afetar sua cognição e aumentar o risco de acidentes.

Como a arma foi encontrada

O caso veio à tona na madrugada de 15 de junho, quando policiais militares do Distrito Federal realizaram uma blitz de trânsito e encontraram a arma dentro de um veículo oficial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O automóvel era conduzido por Estácio Leite da Silva Filho. Durante a abordagem, os policiais identificaram o armamento e solicitaram esclarecimentos. O militar informou que a pistola estava sendo levada para reparo e posteriormente seria devolvida ao proprietário.

Após a apreensão, a polícia constatou que a arma estava registrada em nome de Bolsonaro, o que motivou a abertura das investigações para esclarecer as circunstâncias em que o equipamento deixou a residência do ex-presidente e passou a ser transportado por terceiros.

Investigação busca esclarecer detalhes

Os investigadores tentam entender principalmente por que a arma estava em posse de outra pessoa, sem a documentação correspondente durante o transporte e em local distante da residência do ex-presidente.

A defesa insiste que o objetivo da entrega ao militar foi exclusivamente técnico, voltado à identificação do defeito e ao conserto da pistola, sem qualquer intenção de descumprir normas legais relacionadas ao armamento.

Embora o depoimento tenha sido rápido, o episódio mostra como detalhes aparentemente simples podem ganhar relevância quando envolvem figuras públicas de grande projeção nacional. Mais do que uma discussão sobre uma arma, o caso reforça o permanente escrutínio sobre os atos de ex-chefes de Estado e a importância de que todas as circunstâncias sejam esclarecidas de forma transparente perante a sociedade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Metrópoles

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