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Brasil encara Escócia de olho na liderança, possível retorno de Neymar e até classificação inédita em caso de derrota

Seleção entra em campo nesta quarta-feira pela última rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026; vitória garante a liderança, mas combinação de resultados pode colocar o Brasil no mata-mata até mesmo na terceira colocação.

A torcida brasileira vive mais uma noite de expectativa, ansiedade e esperança na Copa do Mundo. Nesta quarta-feira (24), a Seleção Brasileira enfrenta a Escócia, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami, em uma partida que vale muito mais do que apenas três pontos. Além da disputa pela liderança do Grupo C, o confronto pode marcar o retorno de Neymar aos gramados no Mundial e até abrir caminho para uma classificação inédita na história da equipe brasileira.

Líder da chave pelo saldo de gols, o Brasil depende apenas de uma vitória para avançar às fases eliminatórias na primeira colocação. Porém, o novo formato da Copa do Mundo ampliou as possibilidades de classificação e criou um cenário curioso: até mesmo uma derrota pode garantir a vaga da Seleção no mata-mata.

Como o Brasil pode avançar mesmo perdendo

A matemática do Grupo C mostra que uma derrota para a Escócia não significa necessariamente eliminação. Caso o Brasil seja derrotado, permanecerá com quatro pontos, enquanto os escoceses chegariam a seis.

Se o Marrocos vencer o Haiti na outra partida da chave, alcançará sete pontos e assumirá a liderança do grupo. Nesse cenário, a Seleção Brasileira terminaria a primeira fase na terceira colocação.

Em outras edições da Copa do Mundo, isso significaria eliminação imediata. Porém, a competição deste ano adota um regulamento diferente, que permite a classificação dos oito melhores terceiros colocados entre todos os grupos.

Assim, dependendo dos resultados das demais chaves, o Brasil poderia avançar mesmo sem terminar entre os dois primeiros colocados de seu grupo.

Situação seria inédita para a Seleção

Historicamente, o Brasil quase sempre avançou às fases eliminatórias como líder de sua chave. Ao longo das Copas, a Seleção construiu uma trajetória marcada pelo protagonismo e pela regularidade.

As exceções aconteceram em 2010, quando terminou em segundo lugar atrás de Portugal na África do Sul, além dos Mundiais de 1974 e 1978, que possuíam formatos diferentes dos atuais.

Por isso, uma eventual classificação na terceira posição representaria um feito inédito para a equipe brasileira em Copas do Mundo.

Novo regulamento amplia possibilidades

O modelo adotado pela Fifa nesta edição não é totalmente novo. Formatos semelhantes já foram utilizados nas Copas de 1986, 1990 e 1994, quando os melhores terceiros colocados também avançavam para a fase eliminatória.

A história mostra que terminar em terceiro lugar não impede campanhas memoráveis. Em 1990, a Argentina avançou nessa condição e chegou à final do torneio. Quatro anos depois, a Itália repetiu o feito e também disputou a decisão da Copa.

A diferença é que agora o número de classificados nessa situação é ainda maior, aumentando as possibilidades de sobrevivência das seleções que enfrentarem dificuldades na fase de grupos.

Ancelotti define equipe para duelo decisivo

Enquanto a matemática movimenta os bastidores, o técnico Carlo Ancelotti trabalha para ajustar os últimos detalhes da equipe que entrará em campo diante da Escócia.

A boa notícia para a comissão técnica foi o retorno do goleiro Alisson aos treinamentos. O jogador havia sido poupado por controle de carga física, mas participou normalmente da última atividade e está confirmado para o confronto.

A principal dúvida está no setor ofensivo. Sem Raphinha, que sofreu uma lesão muscular na partida contra o Haiti, Ancelotti avalia alternativas para atuar pelo lado direito do ataque. Rayan, Luiz Henrique e Endrick aparecem entre os candidatos à vaga.

O treinador também realizou testes em outras posições durante os treinamentos, observando diferentes formações defensivas e ofensivas para enfrentar os escoceses.

A tendência é que o Brasil entre em campo com Alisson; Danilo, Gabriel Magalhães, Marquinhos e Alex Sandro; Bruno Guimarães, Casemiro (Fabinho ou Danilo Santos) e Lucas Paquetá; Rayan (Luiz Henrique), Matheus Cunha e Vini Jr.

Neymar pode voltar justamente contra velho conhecido

Além da importância da classificação, a partida pode marcar um momento especial para a torcida brasileira: o retorno de Neymar à Copa do Mundo.

Recuperado de uma lesão de grau 2 na panturrilha, o camisa 10 foi relacionado para o confronto e poderá atuar pela primeira vez neste Mundial.

O adversário traz lembranças especiais para o atacante. Em março de 2011, Neymar brilhou contra a Escócia ao marcar dois gols na vitória brasileira por 2 a 0 em amistoso disputado no Emirates Stadium, em Londres. Naquela ocasião, o jovem atacante começava a encantar o futebol mundial.

Agora, quinze anos depois, o cenário é completamente diferente. Neymar chega mais experiente, disputando sua quarta Copa do Mundo e buscando escrever mais um capítulo de sua história com a camisa da Seleção.

Retorno deve acontecer com cautela

Apesar da expectativa dos torcedores, Carlo Ancelotti adota cautela quanto à utilização do craque.

Segundo o treinador, Neymar treinou normalmente durante a semana e está à disposição, mas a tendência é que seja utilizado gradualmente para evitar riscos físicos.

A expectativa é que o atacante entre durante o segundo tempo e atue por cerca de 20 minutos, ganhando ritmo para os desafios mais importantes que podem surgir nas próximas fases da competição.

Em uma Copa do Mundo, cada partida carrega sua própria história. Nesta quarta-feira, o Brasil entra em campo cercado de possibilidades, desafios e emoções. Entre a busca pela liderança, a chance de uma classificação inédita e o esperado retorno de Neymar, a Seleção sabe que o resultado final vai muito além da matemática. É mais uma noite em que milhões de brasileiros estarão unidos pela mesma esperança: ver a camisa amarela seguir viva na caminhada rumo ao sonho do hexacampeonato.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

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