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Câmara mantém mandato de Carla Zambelli mesmo com prisão na Itália

Plenário não alcança votos suficientes para cassação, e processo será arquivado

Em uma tarde marcada por tensão política e discursos carregados de expectativas, a Câmara dos Deputados decidiu manter o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), atualmente detida na Itália. O resultado frustrou a ala que defendia a cassação imediata: foram 227 votos favoráveis à perda de mandato, número abaixo dos 257 necessários para aprovar o parecer. Com isso, o processo será arquivado.

Apesar de um clima de forte pressão e olhar público atento, 170 parlamentares votaram contra a cassação, enquanto outros 10 optaram pela abstenção. A decisão, que contraria determinação judicial, escancara as fissuras políticas da Casa em um momento de crescente disputa interna.

Condenação na Itália e impasse com o STF

Zambelli está presa desde julho, após condenação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 10 anos de reclusão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. A sentença inclui, além da pena principal, a perda automática do mandato: um ponto que o STF já havia comunicado à Mesa Diretora da Câmara.

Ainda assim, a Casa optou por contrariar os efeitos práticos da decisão judicial, reafirmando sua prerrogativa de decidir sobre casos envolvendo os próprios parlamentares.

Defesa contesta provas e cita caso Glauber Braga

No plenário, o advogado de Zambelli, Fabio Pagnozzi, insistiu que a deputada não cometeu nem ordenou a invasão ao CNJ. Ele afirmou que a defesa “nunca teve acesso às provas” e que o celular da parlamentar, peça-chave do processo, não foi disponibilizado para análise. Em seu discurso, Pagnozzi mencionou o julgamento de Glauber Braga, reforçando que, se fosse deputado, também não votaria pela cassação do colega.

No caso de Glauber, o plenário decidiu por uma suspensão temporária de seis meses.

Outros mandatos na mira

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a Casa deve analisar nos próximos dias os processos envolvendo Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), sinalizando que novos embates políticos devem marcar o Congresso nas próximas semanas.

No fim, a decisão sobre Zambelli deixa no ar uma mistura de alívio para sua base aliada e frustração para opositores. Mais do que preservar um mandato, o resultado expõe o quanto a política brasileira segue moldada por acordos, resistências e disputas que vão muito além do que acontece dentro ou fora do país. É um lembrete de que, no tabuleiro do Congresso, cada voto carrega mais do que números; carrega mensagens sobre o futuro que se tenta construir.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Jovem Pan

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