Índice que mede a posição dos brasileiros sobre temas como aborto, pena de morte e casamento entre pessoas do mesmo sexo chegou a 0,680 em 2026, aproximando-se do recorde registrado no ano da eleição de Jair Bolsonaro.
O Brasil apresenta um movimento de fortalecimento de posições conservadoras quando o assunto são costumes e valores sociais. É o que revela uma nova pesquisa do Ipsos-Ipec, divulgada nesta terça-feira (13), que aponta o maior nível de conservadorismo da população brasileira desde 2018. O resultado chama a atenção por ocorrer em um momento de intensa polarização política e de debates sobre os rumos sociais e ideológicos do país.
De acordo com o levantamento, o Índice de Conservadorismo de Costumes chegou a 0,680 em uma escala que varia de zero a um. Quanto mais próximo de zero, maior a tendência progressista dos entrevistados. Já os resultados próximos de um indicam posições mais conservadoras. O indicador considera a opinião dos brasileiros sobre cinco temas relacionados a costumes e valores.
Índice se aproxima do recorde registrado em 2018
O resultado deste ano representa uma elevação em relação a 2025, quando o índice ficou em 0,652. Apesar do avanço, o indicador ainda está abaixo do maior patamar da série histórica, registrado em 2018, quando alcançou 0,689.

Naquele ano, o Brasil vivia um período de forte mobilização política e eleitoral, que culminou na eleição de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O segundo maior resultado havia sido registrado em 2016, quando o índice chegou a 0,686.
A comparação histórica mostra que o conservadorismo voltou a ganhar força na sociedade brasileira, aproximando-se dos níveis observados em um dos períodos mais marcantes da recente trajetória política nacional.
Cinco temas ajudam a medir o conservadorismo
Para calcular o indicador, o Ipsos-Ipec considerou a posição dos entrevistados sobre cinco assuntos que frequentemente provocam debates na sociedade:
- Legalização do aborto;
- Pena de morte;
- Redução da maioridade penal;
- Casamento entre pessoas do mesmo sexo;
- Prisão perpétua para crimes hediondos.
As respostas permitem identificar o grau de aceitação da população em relação a diferentes pautas de costumes e valores. Quanto maior a adesão a posições consideradas conservadoras nesses temas, mais elevado é o índice.

O instituto também perguntou aos participantes sobre a flexibilização das regras para armas e o porte de armamentos. Entretanto, esses dois assuntos não foram incluídos no cálculo do indicador, porque passaram a integrar os levantamentos somente a partir de 2023.
Como a pesquisa foi realizada
O levantamento ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros, entre os dias 9 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Os dados oferecem um retrato das posições dos brasileiros diante de questões que ultrapassam o debate político tradicional e envolvem valores, comportamento e diferentes visões de sociedade.

Em um país marcado por profundas diferenças de pensamento, o avanço do conservadorismo revela um cenário que merece atenção. Mais do que números, o levantamento aponta para transformações na maneira como os brasileiros enxergam temas sociais e morais, um movimento que também ajuda a compreender o ambiente político e os debates que devem continuar influenciando o futuro do país.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Brasil













