Secretaria de Segurança Pública, associações militares e parlamentares criticaram fala da deputada estadual eleita do PT; remuneração recebida por ela em cargo no Ministério das Mulheres também entrou no debate político.
Uma declaração sobre a relação entre jovens da periferia e a Polícia Militar provocou uma forte reação em Rondônia e abriu uma nova frente de tensão política envolvendo a deputada estadual eleita Fátima Cleide (PT). Após afirmar, durante participação em um programa de televisão, que jovens da periferia têm medo de policiais militares, a futura parlamentar passou a receber críticas de entidades representativas da segurança pública, instituições e políticos, que consideraram a fala generalizada e injusta com os profissionais da corporação.
A repercussão levou a própria Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec) a divulgar uma nota oficial de repúdio. Associações que representam oficiais e praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros também se manifestaram, defendendo a atuação dos profissionais e questionando a declaração da petista.
Secretaria de Segurança e associações militares reagem
Em sua manifestação, a Sesdec afirmou que declarações generalizadas dessa natureza desconsideram o trabalho, a dedicação e o compromisso dos profissionais das forças de segurança de Rondônia, que atuam na proteção de vidas e na preservação da ordem pública.
A Associação dos Oficiais (ASOF) e a Associação dos Praças e Familiares da Polícia e Bombeiro Militar de Rondônia (Assfapom) também divulgaram comunicados em defesa dos militares. As entidades criticaram a postura da deputada eleita e manifestaram insatisfação com a forma como a atuação da Polícia Militar foi apresentada.
As manifestações ampliaram a repercussão do episódio e colocaram a relação entre representantes políticos e profissionais da segurança pública no centro do debate estadual.
Deputado eleito Fernando Silva critica declaração
Outro político que se posicionou publicamente foi o deputado estadual eleito Fernando Silva (Republicanos). Em vídeo publicado nas redes sociais, ele contestou as afirmações de Fátima Cleide e questionou o conhecimento da futura parlamentar sobre a realidade de Rondônia.
Fernando afirmou que a petista não reside em Porto Velho e teria permanecido na cidade apenas durante o período eleitoral. Em tom crítico, comentou o resultado das urnas: “E, pasmem senhoras, ela ganhou”.
O parlamentar também questionou a origem da avaliação de que moradores de comunidades periféricas têm medo da Polícia Militar e saiu em defesa da corporação, classificando-a como uma das mais preparadas do país.
Segundo Fernando, os policiais rondonienses possuem preparo e equipamentos para proteger a população. Ele também mencionou a participação de militares do estado em missões da Força Nacional e as condecorações recebidas pelos profissionais.
“Quem tem que ter medo e tremer são os vagabundos, porque o cidadão de bem tem uma polícia preparada”, afirmou o deputado eleito.
Cargo no Ministério das Mulheres também entra na discussão
Além das declarações sobre segurança pública, a trajetória profissional de Fátima Cleide no governo federal passou a integrar as críticas de seus adversários políticos.
Segundo informações apresentadas pelo vereador Fernando Silva, a petista ocupava, desde 2024, uma função na Secretaria Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política (SENATP), vinculada ao Ministério das Mulheres, em Brasília.
Pelo cargo, ela recebia remuneração líquida informada de R$ 27.943,17. Em 2022, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais, Fátima também participou da equipe de transição do governo federal, como representante de Rondônia.
A informação sobre sua atuação na estrutura federal foi utilizada por críticos para questionar sua contribuição política ao estado durante o período em que ocupou funções no governo.
Segurança pública entra no centro do debate político
A controvérsia amplia a discussão sobre os desafios da segurança pública em Rondônia e a relação entre as forças policiais e as comunidades periféricas. De um lado, representantes das corporações defendem o reconhecimento do trabalho dos militares e rejeitam generalizações sobre a atuação policial. De outro, o debate sobre a percepção da população em relação às forças de segurança envolve questões sociais que também fazem parte da agenda política.
Com a repercussão, Fátima Cleide começa sua trajetória na Assembleia Legislativa sob pressão de entidades e representantes da segurança pública, em um episódio que promete continuar provocando discussões no cenário político estadual.
Em uma democracia, a segurança pública precisa ser debatida com liberdade e responsabilidade. Críticas à atuação policial fazem parte do controle social das instituições, assim como o reconhecimento do trabalho dos profissionais que arriscam a própria vida diariamente. O desafio está em construir um debate que não transforme a segurança da população em instrumento de confronto político, mas em compromisso efetivo com a proteção de todos os rondonienses.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/360 Rondônia













