Confusão na zona Leste da capital envolveu luta corporal, disputa por arma de fogo e versões diferentes sobre o que aconteceu; policial ficou ferido no braço e foi levado ao hospital.
Uma situação aparentemente simples, que começou com uma reclamação sobre o farol alto de um veículo, terminou em violência, disparo de arma de fogo e momentos de tensão na madrugada desta sexta-feira (19), na zona Leste de Porto Velho. Um sargento da Polícia Militar, de 44 anos, ficou ferido após ser atingido por um tiro durante uma confusão que mobilizou equipes policiais e terminou na delegacia.
Quando as guarnições chegaram ao local, encontraram o militar consciente, caído próximo à motocicleta que conduzia. O proprietário do carro envolvido na ocorrência permanecia na cena e estava com a pistola do policial, que foi imediatamente recolhida pelos agentes.
Briga começou após reclamação sobre farol
Segundo relatos registrados pela Polícia Militar, a confusão teve início em frente a uma distribuidora de bebidas no bairro Cuniã.
O proprietário de um veículo modelo BYD contou que havia parado no estabelecimento para comprar um energético quando foi informado por algumas mulheres de que um motociclista havia reclamado da intensidade do farol de seu carro.
De acordo com a versão apresentada por ele, pouco tempo depois o motociclista retornou ao local e passou a chutar a porta do veículo, além de tentar danificar o retrovisor. A situação rapidamente evoluiu para uma discussão.
Ainda segundo o relato, outras pessoas que estavam próximas se aproximaram para apoiá-lo. Durante o desentendimento, o motociclista teria se identificado como policial militar, o que aumentou ainda mais a tensão entre os envolvidos.
Foi nesse momento que começou uma disputa pela arma que estava na cintura do sargento. O motorista afirmou que segurou a mão do policial para impedir que a pistola fosse retirada do coldre, enquanto o militar tentava manter o controle do armamento.
Conforme a ocorrência, a situação saiu do controle quando outras pessoas passaram a participar da confusão e agredir o policial. Durante a luta corporal, um disparo foi efetuado.
O proprietário do veículo relatou ainda que um dos envolvidos chegou a ficar com a arma do militar nas mãos e teria sugerido matar o policial. Segundo ele, conseguiu intervir, retirou a pistola desse homem e acionou a Polícia Militar.
Policial relata agressões e tentativa de enforcamento
A versão apresentada pelo sargento é diferente em alguns pontos.
Ele afirmou que seguia para casa quando encontrou dificuldades para trafegar pela via devido à posição do veículo estacionado com o farol alto ligado. Segundo o policial, ele decidiu alertar o proprietário sobre a situação, mas a conversa evoluiu para uma discussão.
O militar contou que, em seguida, começou a ser cercado por várias pessoas. Temendo pela própria segurança, identificou-se como policial militar, mas disse que o grupo continuou avançando em sua direção.
De acordo com seu relato, as agressões começaram logo depois. O sargento afirmou que levou uma pancada na cabeça, sofreu uma tentativa de enforcamento e passou a lutar para evitar que sua arma fosse tomada.
Foi durante essa disputa que o disparo aconteceu. Pouco depois, ele percebeu que havia sido atingido no braço direito.
Caso foi registrado sem prisão em flagrante
Após o controle da situação, o proprietário do veículo foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos.
Como o policial sofreu uma fratura considerada grave em decorrência do disparo, houve inicialmente a tentativa de apresentação do caso em flagrante. No entanto, o delegado de plantão decidiu não receber o procedimento nessa modalidade e determinou a lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
O sargento foi socorrido e encaminhado ao Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II, onde recebeu atendimento médico. Segundo informações da equipe de saúde, o tiro atingiu a região do cotovelo do braço direito.
A arma do policial, uma pistola calibre .380, foi apreendida juntamente com um carregador contendo 15 munições intactas e permanecerá à disposição das autoridades para os procedimentos periciais.
O caso agora será analisado pelas autoridades responsáveis, que deverão esclarecer as circunstâncias exatas da ocorrência. Em situações como essa, marcadas por versões divergentes e momentos de tensão, a investigação se torna fundamental para reconstruir os fatos e apontar responsabilidades. O episódio também serve como alerta sobre como discussões aparentemente banais podem escalar rapidamente e resultar em consequências graves para todos os envolvidos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Rondoniagora













