Senador e pré-candidato à Presidência afirmou que decisão da Suprema Corte foi motivada por questões pessoais e reiterou apoio ao irmão após condenação que o tornou inelegível.
A condenação de Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal continua repercutindo no meio político e ganhou mais um capítulo com a manifestação pública de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro. Em um momento de forte tensão entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes da Corte, o parlamentar classificou a decisão como uma injustiça e afirmou que seguirá apoiando o ex-deputado.
A declaração foi feita por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais na noite de terça-feira (17), poucas horas após a Primeira Turma do STF condenar Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo que investigou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Flávio questiona imparcialidade do julgamento
Ao comentar a decisão, Flávio Bolsonaro afirmou que o processo seria inválido e criticou a participação do ministro Alexandre de Moraes no julgamento.
Segundo o senador, o magistrado deveria ter se declarado impedido de atuar no caso por, supostamente, ser parte interessada no processo.
“Mais uma grande injustiça cometida contra o Eduardo Bolsonaro, num processo que é absolutamente nulo sobre qualquer aspecto que se olhe”, declarou o parlamentar.
Flávio também afirmou que a atuação de Moraes demonstraria uma motivação pessoal contra seu irmão, classificando a condenação como uma espécie de vingança.
Condenação foi unânime
A decisão da Primeira Turma do STF foi tomada por unanimidade. Os ministros concluíram que Eduardo Bolsonaro atuou junto a autoridades dos Estados Unidos com o objetivo de pressionar integrantes da Suprema Corte e interferir em processos relacionados à investigação da tentativa de golpe de Estado.
De acordo com o entendimento dos magistrados, as ações teriam buscado beneficiar politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além da pena de 4 anos e 2 meses de prisão em regime inicial semiaberto, a Corte aplicou uma multa correspondente a 50 dias-multa, cada um fixado em dois salários mínimos, totalizando aproximadamente R$ 162 mil.
Inelegibilidade pode durar mais de 12 anos
Um dos efeitos mais significativos da condenação é a aplicação da Lei da Ficha Limpa.
Por se tratar de uma condenação criminal proferida por órgão colegiado por crime contra a administração da Justiça, Eduardo Bolsonaro tornou-se inelegível desde a data da decisão.
Pelas regras eleitorais, ele permanecerá impedido de disputar eleições durante todo o período de cumprimento da pena e por mais oito anos após o encerramento completo da condenação.
Na prática, a restrição eleitoral pode ultrapassar 12 anos, dependendo da data em que a pena for considerada integralmente cumprida.
Caso segue gerando repercussão política
A condenação de Eduardo Bolsonaro ampliou o debate político sobre os limites da atuação de agentes públicos, a responsabilização por atos relacionados à tentativa de ruptura democrática e a atuação do Supremo Tribunal Federal.
Enquanto aliados do ex-deputado criticam a decisão e questionam a condução do processo, integrantes do Judiciário sustentam que a condenação foi baseada nas provas reunidas ao longo das investigações e no entendimento consolidado da Corte.
A defesa de Eduardo ainda poderá recorrer da decisão dentro do próprio STF.
O episódio reforça como os desdobramentos das investigações sobre os acontecimentos pós-eleições de 2022 continuam influenciando o cenário político nacional. Mais do que uma disputa jurídica, o caso envolve questões que seguem mobilizando diferentes setores da sociedade e que devem permanecer no centro do debate público nos próximos anos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado












