Estratégia busca tirar foco do Planalto e transformar alta dos preços em embate político com estados
Em um tema que pesa diretamente no bolso do brasileiro e mexe com o humor do país, o preço dos combustíveis voltou ao centro da disputa política. Nos bastidores de Brasília, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta redesenhar o cenário: mais do que conter a alta, a estratégia agora passa por dividir responsabilidades e, ao mesmo tempo, ampliar o alcance político do debate.
Proposta mira impostos estaduais
O Ministério da Fazenda apresentou aos estados, nesta quarta – feira (18), a proposta de zerar o ICMS sobre a importação do diesel, numa tentativa de aliviar o preço final ao consumidor. A medida, no entanto, tem um custo elevado: a estimativa é de impacto de cerca de R$ 3 bilhões por mês nas receitas estaduais.
Para amenizar a resistência, a União acenou com a compensação de metade desse valor. Ainda assim, a proposta enfrenta forte oposição.
A ideia é clara. Evitar que o desgaste recaia exclusivamente sobre o Palácio do Planalto e, de quebra, transformar o tema em ferramenta de pressão sobre adversários, especialmente governadores de estados estratégicos.
Resistência abre frente política
Levantamento aponta que a maioria dos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste não pretende aderir à medida. E é justamente nesse cenário que o governo enxerga uma oportunidade política.
Entre os principais alvos está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que já sinalizou não estar disposto a zerar o imposto. A movimentação ocorre em um contexto estratégico: São Paulo é peça-chave nas eleições, e o nome de Fernando Haddad já foi confirmado como aposta do grupo governista para a disputa estadual.
Estratégia encontra limites
Apesar da tentativa de polarizar o debate, o governo enfrenta um obstáculo relevante: Tarcísio não está sozinho. Outros estados também resistem, o que dilui o foco e dificulta a construção de uma narrativa direcionada.
Além disso, o Comsefaz já se posicionou de forma crítica. Para o comitê, reduzir o ICMS sobre combustíveis pode comprometer seriamente a capacidade dos estados de manter serviços públicos essenciais, como saúde, educação e segurança.
O peso político de um litro de combustível
No fim das contas, o debate vai muito além de números e impostos. Cada centavo no preço do diesel carrega impacto direto na vida de milhões de brasileiros; do transporte de alimentos ao custo de vida nas cidades.
E é justamente por isso que a discussão se transforma em campo fértil para disputas políticas. Entre estratégias, resistências e interesses eleitorais, o que permanece no centro de tudo é o cidadão, que segue acompanhando, muitas vezes sem escolha, o sobe e desce de um preço que dita o ritmo do seu dia a dia.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Pablo Jacob/Governo de SP













