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Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli e caso entra em fase decisiva

Ex-deputada pode retornar ao Brasil nas próximas semanas, enquanto defesa tenta reverter decisão em tribunal europeu.

A história de Carla Zambelli ganha um novo capítulo e talvez um dos mais decisivos. Nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, a Justiça da Itália aceitou o pedido de extradição da ex-parlamentar, aproximando o desfecho de um caso que atravessa fronteiras, mobiliza autoridades e reacende debates sobre justiça, política e responsabilidade pública.

A notificação foi encaminhada ao governo brasileiro e a expectativa é de que Zambelli retorne ao país nas próximas semanas. Caso isso se confirme, ela deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. Presa desde 29 de julho de 2025 em território italiano, a ex-deputada ainda tenta reverter a decisão por meio de recurso à Corte de Apelação local.

Entenda o caminho até a extradição

A decisão da Justiça italiana não surge de forma isolada. O processo vem sendo analisado há meses, com audiências, adiamentos e pedidos da defesa. Em 12 de fevereiro de 2026, o Tribunal de Apelação de Roma já havia concluído a fase de julgamento, aguardando apenas a comunicação oficial da decisão.

Zambelli foi presa na Itália após deixar o Brasil pouco depois de o Supremo Tribunal Federal decretar sua prisão preventiva, em 4 de junho de 2025. A Corte italiana chegou a manter sua detenção ao longo do processo, apontando risco elevado de fuga como um dos principais fatores.

Desde então, o caso passou a envolver cooperação internacional entre autoridades brasileiras e italianas, com atuação direta da Advocacia-Geral da União para garantir o cumprimento das decisões judiciais brasileiras.

Condenações e peso das acusações

O pedido de extradição se sustenta em condenações já definidas pelo STF. Em um dos processos, Zambelli foi sentenciada a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e falsidade ideológica, em um caso que envolveu o hacker Walter Delgatti.

Além disso, ela também foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após episódio ocorrido em 2022, quando perseguiu um homem armada em São Paulo.

A soma das penas e a gravidade dos crimes pesaram no pedido brasileiro, que incluiu inclusive a ampliação das acusações durante o processo de extradição.

Defesa aposta em novo recurso

Apesar da decisão favorável à extradição, a defesa da ex-deputada informou que pretende recorrer à Justiça italiana. O próximo passo pode envolver instâncias superiores, como a Corte de Cassação, o que ainda pode atrasar o retorno ao Brasil.

Nos bastidores, autoridades brasileiras já tratam a extradição como uma questão de tempo, embora reconheçam que trâmites legais internacionais costumam ser demorados e sujeitos a reviravoltas.

Um caso que ultrapassa fronteiras

Mais do que uma disputa jurídica, o caso de Carla Zambelli se tornou um símbolo de como decisões políticas e judiciais podem atravessar países, sistemas legais e narrativas. Ele expõe, ao mesmo tempo, os limites da imunidade política e a força da cooperação internacional na aplicação da lei.

No fim, fica a pergunta que ecoa para além dos tribunais: até onde vão as consequências das escolhas feitas no poder? A resposta, ao que tudo indica, está cada vez mais próxima e promete marcar não apenas o destino de uma ex-deputada, mas também a forma como o Brasil enxerga justiça, responsabilidade e memória.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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