Levantamento mostra um país dividido e revela que 2026 tende a ser uma das eleições mais acirradas da história recente.
Em um Brasil onde cada pesquisa eleitoral se transforma em termômetro de humor social, o novo levantamento Apex/Futura, divulgado nesta sexta-feira (12), expõe um cenário que mistura surpresa, tensão e a confirmação de que 2026 será uma disputa marcada pela imprevisibilidade. De acordo com o estudo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perde para Tarcísio de Freitas (Republicanos) em um eventual segundo turno e empata tecnicamente com todos os outros candidatos testados: uma fotografia que revela um país dividido e atento a cada movimento político.
A força de Tarcísio e o equilíbrio entre os demais
A pesquisa ouviu 2.001 eleitores entre 3 e 9 de dezembro, em 887 municípios. No cenário Lula x Tarcísio, o governador de São Paulo abre vantagem numérica: 47,3% contra 39,3% do presidente. É o único confronto em que há uma diferença significativa fora da margem de erro, que é de 2,2 pontos percentuais.
Nos demais embates, a disputa se estreita:
• Ratinho Jr. (PSD) x Lula: 43,6% x 39,5% — empate técnico.
• Romeu Zema (Novo) x Lula: 39,9% x 40,7% — praticamente empatados.
• Michelle Bolsonaro (PL) x Lula: 45,8% x 41,5% — também dentro da margem.
• Ronaldo Caiado (União) x Lula: 41,5% x 39,6% — sem vitória consolidada.
• Flávio Bolsonaro (PL) x Lula: 41,6% x 42,1% — petista numericamente à frente, mas dentro da margem.
Um retrato de polarização persistente
Os números reforçam que, mesmo após dois anos de governo, Lula enfrenta um ambiente político fragmentado, em que governadores bem avaliados nos estados, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, surgem como alternativas competitivas. Ao mesmo tempo, nomes associados ao bolsonarismo seguem com potencial eleitoral relevante, mesmo sem a presença direta de Jair Bolsonaro na disputa presidencial.
O que a pesquisa sinaliza para 2026
Apesar de antecipada, a fotografia captada pela Futura deixa pistas importantes: Tarcísio se consolida como o adversário mais forte no momento; Michelle Bolsonaro mantém capital simbólico expressivo; governadores regionais aparecem como potenciais pontos de fuga para eleitores cansados da polarização tradicional; e Lula, mesmo ainda competitivo, sente os efeitos de um governo pressionado por economia, segurança pública e reorganização da base no Congresso.
Mais do que números, o levantamento abre espaço para uma reflexão inevitável: o eleitorado brasileiro parece dividido não apenas entre direita e esquerda, mas entre o passado que insiste em se fazer presente e a busca por caminhos novos; ou ao menos diferentes. A poucos meses do início oficial da corrida eleitoral, o país parece respirar fundo, consciente de que está diante de mais uma encruzilhada da sua história democrática.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução













