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Lula recebe alta após procedimentos médicos em São Paulo e retorna a Brasília no domingo

Presidente passou por retirada de queratose no couro cabeludo e infiltração no punho para tratar tendinite; exames ocorreram sem intercorrências e material foi enviado para biópsia.

Mesmo para quem ocupa o cargo mais alto do país, a saúde continua sendo um lembrete silencioso de que todos somos humanos. Nesta sexta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu alta hospitalar após passar por dois procedimentos médicos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ambos considerados simples e realizados sem qualquer intercorrência.

Lula foi submetido à retirada de uma queratose no couro cabeludo, além de uma infiltração no punho para tratar uma tendinite no polegar direito. Segundo a equipe médica, o presidente deixa o hospital sem restrições e com orientação apenas para usar chapéu, protegendo a área onde houve a retirada da lesão.

Lesão retirada foi enviada para biópsia

De acordo com os médicos, a queratose removida é um tipo comum de tumor benigno relacionado ao acúmulo de pele no couro cabeludo. Ainda assim, como procedimento de rotina, o material retirado foi encaminhado para biópsia, permitindo uma avaliação mais detalhada.

O cardiologista Roberto Kalil, responsável pelo acompanhamento de Lula, informou que as intervenções ocorreram normalmente e que o presidente não precisará de repouso específico.

Mesmo com a alta hospitalar, a agenda oficial desta sexta-feira, 24 de abril, permaneceu esvaziada. O retorno de Lula para Brasília está previsto para o domingo, 26 de abril.

Segundo Kalil, os procedimentos também não devem interferir na campanha pré-eleitoral do presidente.

Entenda o que é a queratose

A queratose é uma alteração da camada mais superficial da pele, chamada camada córnea, e pode apresentar aspecto escamoso ou verrucoso. Existem três tipos principais: actínica, seborreica e folicular.

A queratose actínica é considerada a mais preocupante pelos especialistas, pois pode evoluir para câncer de pele. Ela costuma surgir em regiões mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, couro cabeludo, colo, mãos e antebraços.

Segundo a dermatologista Ana Carolina Sumam, esse tipo de lesão está diretamente ligado à exposição solar acumulada ao longo da vida.

“A queratose que mais nos preocupa é a queratose actínica, pois ela pode evoluir para câncer de pele. Trata-se de uma lesão diretamente relacionada à exposição solar acumulada ao longo da vida”, explicou.

Pessoas com pele mais clara, cabelos loiros ou avermelhados e olhos claros tendem a ter maior propensão ao desenvolvimento dessas lesões.

Outros tipos e sintomas mais comuns

A queratose seborreica é uma alteração benigna, geralmente associada a fatores genéticos, com aparência mais escura e aspecto verrucoso, surgindo principalmente na face e no tronco.

Já a queratose folicular, também chamada queratose pilar, se manifesta por pequenas manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, geralmente nos braços, pernas, nádegas e bochechas, deixando a pele com textura áspera e seca.

Entre os sintomas mais frequentes estão pequenas elevações indolores, pele ressecada, sensação de aspereza semelhante a uma lixa e piora durante períodos de clima seco ou baixa umidade do ar.

Embora muitas vezes pareça apenas uma alteração estética, o diagnóstico correto é essencial para evitar complicações e identificar precocemente possíveis lesões mais graves.

Tratamento depende do tipo da lesão

Nos casos de queratose seborreica, como geralmente são lesões benignas, o tratamento costuma ser indicado apenas quando há desconforto, coceira ou incômodo estético. Nesses casos, podem ser utilizados métodos como crioterapia, eletroterapia ou cauterização química, procedimento semelhante ao realizado pelo presidente.

Na queratose pilar, o tratamento é baseado principalmente em hidratação intensa da pele e no uso de substâncias como ácido salicílico.

Já a queratose actínica exige maior atenção por ser considerada uma lesão pré-maligna. O tratamento pode incluir crioterapia com nitrogênio líquido, curetagem, eletrocoagulação, uso de cremes específicos e até cirurgia com exame anatomopatológico quando há suspeita de evolução para câncer.

A saúde, às vezes, interrompe agendas presidenciais, compromissos políticos e discursos importantes para lembrar algo essencial: ninguém está acima do cuidado com o próprio corpo. E quando até um presidente precisa parar para olhar para si, talvez esse também seja um convite silencioso para que cada um de nós faça o mesmo.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CBN – Globo

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