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Moraes não descarta volta de Bolsonaro à prisão após domiciliar; saúde segue sob avaliação

Ex-presidente, internado desde 13 de março, pode ter alta até sexta-feira (26), mas futuro no regime domiciliar dependerá de perícia médica após 90 dias.

Entre decisões judiciais e boletins médicos, o destino do ex-presidente Jair Bolsonaro segue em aberto e cercado de incertezas. Embora tenha sido autorizado a cumprir prisão domiciliar por 90 dias, a possibilidade de retorno ao regime fechado ainda está no horizonte, dependendo da evolução de sua saúde.

A sinalização foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que condicionou a continuidade da medida a uma perícia médica ao final do período. A informação foi revelada em apuração do analista político Teo Cury.

Perícia será decisiva para futuro de Bolsonaro

Após os 90 dias de prisão domiciliar, Jair Bolsonaro deverá ser submetido a uma nova avaliação médica. O resultado dessa perícia será determinante para definir se ele continuará em casa ou retornará à chamada Papudinha, em Brasília, onde estava detido desde janeiro de 2026.

Inicialmente, a perícia ocorreria antes da decisão sobre a domiciliar, mas Alexandre de Moraes optou por conceder o benefício de forma imediata, considerando os argumentos da defesa, da equipe médica e o parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Quadro de saúde inspira cuidados

Internado desde o dia 13 de março no Hospital DF Star, Bolsonaro foi diagnosticado com pneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração. O quadro exigiu internação na UTI, após sintomas como febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese e calafrios.

Segundo o cardiologista Brasil Caiado, que acompanha o ex-presidente, a evolução tem sido positiva. Bolsonaro deixou a UTI na segunda-feira (23) e foi transferido para um quarto, já em recuperação.

A expectativa, conforme informado nesta quarta-feira (25), é de que ele receba alta até sexta-feira (26), após o término do ciclo de antibióticos.

Recuperação pode levar meses

Apesar da melhora, o processo de recuperação ainda exige atenção. De acordo com a equipe médica, o tempo estimado para recuperação completa pode variar entre 90 dias e até seis meses, especialmente por se tratar de uma pneumonia que atingiu ambos os pulmões.

Além disso, Bolsonaro também relatou dores no ombro direito. Exames indicam possível lesão no manguito rotador, com chance de necessidade de cirurgia — procedimento que, se confirmado, deve ser adiado até a plena recuperação do quadro pulmonar.

Decisão judicial e contexto

A prisão domiciliar foi autorizada por Alexandre de Moraes na terça-feira (24), após manifestação favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que destacou a necessidade de cuidados constantes em ambiente adequado.

O entendimento foi de que o ambiente familiar oferece melhores condições para a recuperação do ex-presidente, ao menos neste momento.

No entanto, a decisão deixa claro que o benefício é temporário e condicionado à evolução clínica, mantendo em aberto a possibilidade de retorno ao sistema prisional.

No meio desse cenário, entre laudos médicos e decisões judiciais, o que se desenha é um capítulo marcado pela imprevisibilidade. A cada novo boletim, a cada nova decisão, não se trata apenas do futuro de um ex-presidente, mas de um episódio que segue sendo acompanhado de perto por um país inteiro, dividido entre opiniões, expectativas e a constante busca por respostas.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/BBC

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