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Operação Labirinto de Bronze: MP denuncia quatro por suposta milícia e lavagem de dinheiro

Investigação aponta estrutura armada que teria atuado durante anos em conflitos agrários e movimentado patrimônio estimado em mais de R$ 31 milhões.

Uma investigação que começou a partir de conflitos por terras e avançou sobre propriedades rurais, veículos, contas bancárias e centenas de animais revelou, segundo o Ministério Público de Rondônia (MPRO), uma estrutura que teria funcionado durante anos com atuação armada e mecanismos para ocultar patrimônio. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou quatro investigados na Operação Labirinto de Bronze por crimes relacionados à formação de uma suposta milícia e à lavagem de dinheiro.

De acordo com a denúncia, a estrutura teria atuado entre janeiro de 2019 e maio de 2026 em conflitos agrários nos municípios de Buritis, Ariquemes, Machadinho do Oeste e Cujubim. A investigação alcançou um patrimônio que, até o momento, foi calculado em R$ 31.370.845,49, além de 1.611 cabeças de gado e sete veículos.

Estrutura armada teria atuado em conflitos por terras

Segundo o MPRO, parte dos denunciados teria integrado uma organização armada de caráter estável e permanente, que atuava em disputas envolvendo propriedades rurais.

A denúncia aponta que o grupo teria realizado atividades de vigilância de áreas, intimidação e retirada de ocupantes, além de confrontos com grupos rivais e outras ações violentas relacionadas aos conflitos agrários.

Ainda conforme o Ministério Público, a estrutura teria utilizado a própria experiência e o aparato armado para prestar serviços remunerados de segurança em propriedades rurais.

As acusações, no entanto, ainda serão analisadas pela Justiça. A apresentação da denúncia não significa condenação, e os investigados terão direito à defesa e ao devido processo legal.

Investigação encontrou patrimônio milionário

Além da suposta atuação armada, o Gaeco aprofundou as investigações sobre a movimentação financeira e patrimonial dos envolvidos.

Segundo o MPRO, foram identificados indícios de utilização de diferentes mecanismos para ocultar ou dissimular bens e valores que poderiam estar relacionados às atividades investigadas.

As apurações alcançaram imóveis rurais e urbanos, veículos, rebanho bovino, movimentações bancárias, uma pessoa jurídica e registros patrimoniais que estariam em nome de terceiros.

A denúncia descreve sete fatos relacionados à lavagem de dinheiro, realizados por meio de operações distintas. Entre os bens alcançados pelas medidas estão 1.611 cabeças de gado, sete veículos e propriedades rurais, além de valores movimentados por contas bancárias.

MP pede perda de mais de R$ 31 milhões

Diante do patrimônio identificado, o Ministério Público também pediu à Justiça a perda de bens, direitos e valores que tenham relação direta ou indireta com os crimes investigados.

O montante apontado na denúncia chega a R$ 31.370.845,49. Parte desse patrimônio já está submetida a medidas judiciais determinadas durante o andamento da investigação.

O pedido busca impedir que eventuais bens considerados provenientes das atividades criminosas sejam mantidos ou utilizados pelos investigados, caso as acusações sejam confirmadas ao final do processo.

Primeira fase ocorreu em maio

A primeira fase da Operação Labirinto de Bronze foi deflagrada em 26 de maio de 2026. Na ocasião, equipes do Gaeco cumpriram sete mandados de busca e apreensão em Ariquemes, Cujubim e Porto Velho.

As medidas atingiram diferentes pontos ligados à investigação e incluíram providências destinadas à identificação e preservação de patrimônio. Recursos financeiros, imóveis e veículos foram alcançados pelas determinações judiciais.

Também foi determinada a restrição de 1.611 cabeças de gado, um dos elementos que mais chamaram atenção pelo volume do patrimônio investigado.

Análise de celulares e documentos levou à segunda fase

O trabalho do Gaeco não terminou com as buscas realizadas em maio. A análise de aparelhos eletrônicos e documentos apreendidos durante a primeira etapa permitiu o aprofundamento das investigações e levou à deflagração da segunda fase, em setembro.

Nesta etapa, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão em Ariquemes. A Justiça também determinou medidas cautelares diversas da prisão contra outros investigados.

As novas informações obtidas durante a perícia dos materiais apreendidos ajudaram, segundo o MPRO, a ampliar o entendimento sobre a estrutura investigada e sobre a movimentação de bens e valores.

Empresa em Goiás também foi alcançada

A investigação avançou ainda para fora de Rondônia. Uma empresa sediada em Aparecida de Goiânia, em Goiás, foi incluída em uma medida patrimonial complementar.

Por determinação judicial, foi autorizado o sequestro de 50% das quotas, dos direitos societários e dos direitos econômicos vinculados à empresa.

A medida integra o conjunto de providências adotadas para preservar o patrimônio que, segundo a investigação, pode estar relacionado aos fatos apurados na operação.

Justiça ainda vai analisar as acusações

Na denúncia, o Ministério Público pede que a Justiça receba a acusação, determine a citação dos investigados e dê prosseguimento ao processo. Ao final, o órgão requer a condenação dos quatro denunciados pelos crimes atribuídos individualmente a cada um.

O caso reúne duas frentes consideradas de grande impacto pela investigação: a suspeita de uma estrutura armada envolvida em conflitos agrários e a tentativa de identificar como recursos e bens teriam sido movimentados ou ocultados ao longo dos anos.

A Operação Labirinto de Bronze mostra, assim, como investigações sobre conflitos de terra podem ultrapassar os limites das propriedades rurais e alcançar uma complexa rede de patrimônio, empresas, animais, veículos e movimentações financeiras. Agora, caberá à Justiça analisar as provas reunidas e definir a responsabilidade de cada denunciado, em um processo que poderá revelar novos detalhes sobre a origem e a movimentação de um patrimônio estimado em mais de R$ 31 milhões.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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