Pesquisa mostra que apoio ou rejeição ao jogador varia conforme posicionamento ideológico, além de diferenças regionais e de renda.
A presença de Neymar na Seleção Brasileira, algo que antes unia torcedores em torno do futebol, hoje escancara um retrato mais profundo do país. Em meio a um Brasil cada vez mais polarizado, até a convocação de um dos maiores nomes do esporte nacional passou a refletir divisões políticas e ideológicas.
Um levantamento da Genial Investimentos em parceria com a Quaest aponta que a avaliação sobre o jogador muda significativamente de acordo com o posicionamento político dos entrevistados.
Divisão ideológica no futebol
Entre os que se identificam como direita não bolsonarista, o apoio à convocação de Neymar é majoritário, com 58% favoráveis e 34% contrários. Esse é o grupo com maior índice de aprovação ao atacante.
Já no campo oposto, entre eleitores de esquerda não lulista, o cenário se inverte. Nesse segmento, a rejeição supera o apoio, indicando resistência maior à presença do jogador na equipe.
Entre os lulistas, os números também apontam divisão, mas com leve predominância de rejeição: 50% são contrários, enquanto 45% apoiam a convocação.
Por outro lado, entre os bolsonaristas, o apoio volta a crescer. A pesquisa mostra 57% favoráveis à presença de Neymar, contra 36% que se posicionam contra.
Um país dividido além da política
Os dados revelam que o debate esportivo, ao menos nesse caso, acompanha a mesma lógica de polarização que marca o cenário político brasileiro. Ainda assim, nenhum grupo apresenta unanimidade, o que reforça que a imagem do jogador segue em disputa em diferentes camadas da sociedade.
Diferenças regionais e sociais
O recorte por região também evidencia contrastes. No Sul, a maioria dos entrevistados se posiciona contra a convocação. Já no Nordeste, prevalece o apoio à permanência de Neymar na seleção.
No Sudeste, há um cenário de equilíbrio, com leve vantagem para os favoráveis. Já nas regiões Centro-Oeste e Norte, o apoio também aparece à frente, embora por margem apertada.
Quando o olhar se volta para a renda, a divisão permanece. Entre brasileiros que recebem até dois salários mínimos, há um empate técnico entre apoio e rejeição. Nas faixas de renda mais alta, o apoio ao jogador cresce, ainda que de forma discreta.
A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 13 de abril de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
No fim, o que esse retrato revela vai além de Neymar ou da Seleção. Mostra como, no Brasil de hoje, até o futebol: historicamente um território de união, passou a refletir as diferenças, opiniões e sentimentos de um país que ainda busca reencontrar seus pontos em comum dentro e fora de campo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Getty Images













