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Pesquisa Atlas/Arko mostra Lula com 50,6% de rejeição e empate com Flávio Bolsonaro nas intenções de voto

Levantamento divulgado em 1º de abril revela cenário polarizado e alto índice de rejeição entre principais nomes para 2026.

Em um cenário político cada vez mais marcado pela divisão, os números mais recentes da corrida eleitoral revelam não apenas intenções de voto, mas sentimentos profundos do eleitorado brasileiro. Entre apoio e rejeição, o que se desenha é um país ainda polarizado, onde escolhas parecem carregadas de dúvidas, receios e convicções firmes.

Pesquisa do Instituto Atlas Intel em parceria com a Arko Advice, divulgada na quarta-feira, 1º de abril, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem 50,6% de rejeição, enquanto o senador Flávio Bolsonaro registra 24%. Apesar da diferença nesse indicador, os dois aparecem empatados nas intenções de voto mais firmes, com 41% dos entrevistados afirmando que “com certeza votariam” em cada um deles.

Empate técnico e cenário de polarização

Os dados evidenciam um equilíbrio que reflete a divisão política do país. Ao mesmo tempo em que ambos lideram em intenção de voto, também enfrentam índices expressivos de rejeição. No caso de Lula, metade dos entrevistados afirmou que “de jeito nenhum” votaria no petista, enquanto Flávio Bolsonaro tem rejeição de 49% nesse mesmo critério.

Outros nomes testados aparecem com menor rejeição, como os governadores Ratinho Júnior e Eduardo Leite, além dos pré-candidatos Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

Motivações da rejeição a Lula

Entre os entrevistados que disseram não votar em Lula, 85,9% apontaram a percepção de envolvimento ou conivência com corrupção como principal motivo. Outros 45,7% afirmaram que o presidente busca tornar a população dependente do Estado.

A pesquisa também revela um dado relevante sobre o histórico eleitoral desses eleitores. Entre os que rejeitam Lula, 62,3% disseram nunca ter votado no Partido dos Trabalhadores, enquanto 30,3% votaram até 2014 e 7,5% apoiaram o partido mais recentemente, em 2018 ou 2022.

Entre os que já foram eleitores do PT, metade afirma que deixou de apoiar o partido por causa de escândalos de corrupção. Outros citam maior politização, mudanças ideológicas e críticas à condução da economia.

Razões para rejeição a Flávio Bolsonaro

No caso de Flávio Bolsonaro, a principal razão apontada para rejeição é o receio de um governo semelhante ao de Jair Bolsonaro, citado por 74,4% dos entrevistados. Já 62,7% mencionam suspeitas de envolvimento com corrupção.

A pesquisa também mostra que 82,5% dos que rejeitam o senador nunca votaram nele. Entre os que já apoiaram o grupo político, os principais motivos para mudança de posicionamento incluem críticas à condução da pandemia, percepção de autoritarismo e desgaste institucional.

Percepção de risco eleitoral

Quando questionados sobre o cenário eleitoral, 47,1% dos entrevistados disseram que uma eventual reeleição de Lula causaria mais medo ou preocupação. Já 46,3% afirmaram o mesmo sobre uma possível eleição de Flávio Bolsonaro. Outros 6,5% consideram que ambos representam preocupação equivalente.

Metodologia da pesquisa

O levantamento foi realizado entre os dias 16 e 23 de março, com 4.224 entrevistados recrutados digitalmente. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral em 25 de março de 2026, sob o número BR-06058/2026.

Mais do que números, a pesquisa revela um retrato emocional do país. Entre rejeições altas e apoios firmes, o eleitor brasileiro parece dividido entre escolhas que, para muitos, não representam entusiasmo, mas sim decisões difíceis. E, nesse cenário, a eleição que se aproxima não será apenas uma disputa de votos, mas um reflexo direto das inquietações e expectativas de uma sociedade que ainda busca caminhos para o seu futuro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo

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