Alvos cumpriam prisão domiciliar desde dezembro por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Em mais um desdobramento de um dos episódios mais sensíveis da história recente do Brasil, três militares foram presos pelo Exército Brasileiro na manhã desta sexta-feira (10), após condenação por envolvimento na trama golpista que ameaçou o Estado Democrático de Direito. A medida, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reforça a atuação das instituições na defesa da democracia.
Os militares, que cumpriam prisão domiciliar desde dezembro, foram detidos após decisão judicial no âmbito das investigações conduzidas pela Corte. As prisões marcam mais um capítulo no esforço das autoridades para responsabilizar os envolvidos nos atos antidemocráticos.
Quem são os militares presos
Segundo apuração da CNN Brasil, os detidos são:
- Ângelo Denicoli, major da reserva, preso em Vila Velha (ES);
- Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel, preso em Brasília;
- Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente, preso em Brasília.
Eles integram o chamado núcleo 4 da trama golpista investigada pelas autoridades federais.
Uso da Abin e acusações da PGR
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, os militares teriam utilizado a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência para espionar adversários políticos e disseminar informações falsas contra o processo eleitoral e as instituições democráticas.
As ações, segundo as investigações, visavam favorecer uma tentativa de golpe de Estado.
Prisão domiciliar e novo cumprimento das penas
Os condenados estavam em prisão domiciliar desde dezembro, após determinação de Moraes. À época, a operação foi motivada pela tentativa de fuga do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, que foi preso no Paraguai ao tentar chegar a El Salvador.
A defesa de Guilherme Marques de Almeida informou que o militar foi recolhido na manhã desta sexta-feira (10) e aguarda o julgamento de recurso. As defesas dos demais envolvidos ainda não haviam se manifestado.
Ângelo Martins Denicoli
Major da reserva do Exército, Ângelo Denicoli recebeu a maior pena entre os integrantes do núcleo 4: 17 anos de prisão e 150 dias-multa. Segundo a PGR, ele teria produzido e disseminado documentos falsos sobre as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro.
Até 2024, Denicoli ocupava cargo na Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo. Sua defesa argumenta que a acusação se baseia em provas frágeis e aponta excesso acusatório.
Ele foi condenado pelos seguintes crimes:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência;
- Grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Giancarlo Gomes Rodrigues
O subtenente Giancarlo Rodrigues foi condenado a 14 anos de prisão e 120 dias-multa. Conforme a Polícia Federal, ele teria participado da criação de uma rede clandestina de espionagem dentro da Abin para monitorar opositores.
Relatórios da investigação também apontam o monitoramento ilegal de autoridades, incluindo a jurista Maria Cláudia Buchianeri, que seria indicada ao Tribunal Superior Eleitoral.
Guilherme Marques de Almeida
O tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida foi condenado a 13 anos de prisão e 120 dias-multa. Ele também foi considerado integrante do núcleo 4 da trama golpista.
Em áudio divulgado pela Polícia Federal, o militar sugeriu a necessidade de “sair das quatro linhas” da Constituição para viabilizar a ruptura institucional. O material foi extraído de dispositivos eletrônicos apreendidos durante a investigação.
Entre os crimes pelos quais foi condenado estão:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência;
- Grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
A expressão “jogar dentro das quatro linhas da Constituição” tornou-se recorrente em discursos do ex-presidente Jair Bolsonaro, sendo utilizada como referência ao respeito às normas constitucionais.
Defesa da democracia e impacto institucional
As prisões reforçam o compromisso das instituições brasileiras com a responsabilização de atos que atentem contra a ordem democrática. Mais do que um episódio judicial, o caso representa um marco na história política do país e evidencia a importância da preservação do Estado de Direito.
Em meio a debates e polarizações, os desdobramentos da trama golpista convidam à reflexão sobre o valor da democracia: um patrimônio coletivo que exige vigilância constante, responsabilidade e respeito às instituições.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Metrópoles













