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Trump chama Otan de “covarde” enquanto guerra no Oriente Médio derruba voos e pressiona economia global

Declaração feita na sexta-feira (20) expõe tensão entre aliados, enquanto conflito iniciado em 28 de fevereiro provoca cancelamentos em massa e afeta milhões de passageiros

Em meio ao avanço de uma guerra que já ultrapassa fronteiras e atinge o cotidiano de milhões de pessoas, o tom das lideranças mundiais se torna cada vez mais duro. Na sexta-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a tensão ao atacar diretamente aliados históricos, enquanto, do outro lado, aeroportos lotados e voos cancelados revelam o impacto real de um conflito que já mudou a rotina global.

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, não apenas abalou mercados e encareceu o petróleo, como também deixou um rastro de incerteza que agora se reflete nos céus e nas relações diplomáticas.

Ataque direto à Otan e pressão por apoio

Trump não poupou palavras ao criticar a OTAN, chamando os aliados de “covardes” pela falta de apoio à ofensiva no Oriente Médio. Em publicação nas redes sociais, afirmou que, sem os Estados Unidos, a aliança militar seria um “tigre de papel”.

O presidente tem pressionado outros países a contribuir com a segurança no Estreito de Ormuz, área estratégica para o transporte global de petróleo. Segundo ele, apesar de reclamarem da alta nos preços do combustível, os aliados evitam participar de uma ação que, em sua visão, seria simples e de baixo risco.

Guerra afeta economia e mobilidade global

Enquanto o discurso político esquenta, os reflexos da guerra são sentidos de forma concreta. O conflito já deixou milhares de mortos, deslocou milhões de pessoas e provocou instabilidade nos mercados internacionais.

Um dos setores mais impactados é o da aviação. O fechamento de espaços aéreos e aeroportos estratégicos no Oriente Médio, como Dubai, Doha e Abu Dhabi, desencadeou uma onda de cancelamentos e mudanças nas rotas aéreas em todo o mundo.

Cancelamentos em massa e passageiros afetados

Companhias aéreas de diferentes países anunciaram suspensão ou redução de voos, muitas delas com prazos que se estendem por semanas ou até meses.

Empresas como Aegean Airlines cancelaram rotas para Tel Aviv, Beirute e Amã até 22 de abril, além de suspender voos para Dubai até 19 de abril. A Air Canada interrompeu operações para Tel Aviv até 2 de maio, enquanto a Air France e a KLM suspenderam voos para diversas cidades da região até datas que vão de março a maio.

Outras gigantes da aviação também foram afetadas. A Lufthansa e suas subsidiárias cancelaram voos para destinos como Tel Aviv, Dubai e Teerã até abril, enquanto a British Airways suspendeu rotas até 31 de maio. Já a Emirates e a Etihad operam com capacidade reduzida, refletindo a instabilidade no espaço aéreo.

Há ainda companhias que projetam impactos mais longos. A Wizz Air, por exemplo, suspendeu voos para destinos como Abu Dhabi e Dubai até meados de setembro, evidenciando que os efeitos da crise podem se prolongar.

Céu fechado, tensão aberta

Com aeroportos esvaziados de voos e cheios de incerteza, milhares de passageiros seguem presos ou enfrentando mudanças inesperadas em seus planos. A aviação, que simboliza conexão e mobilidade, agora reflete o peso de um mundo em conflito.

No meio desse cenário, as declarações de líderes e as decisões estratégicas ganham ainda mais importância. Porque, no fim, cada fala, cada movimento político e cada rota cancelada contam a mesma história. A de um mundo interligado, onde uma guerra distante deixa de ser apenas geopolítica e passa a ser sentida na vida real, no tempo suspenso de quem espera por um voo, por uma solução ou, simplesmente, por dias mais estáveis.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Getty Images e Reuters

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