Novo valor representa aumento de R$ 103 e depende agora da aprovação final do Orçamento pelo Congresso.
O salário mínimo de 2026 foi fixado em R$ 1.621, um reajuste de R$ 103 em relação ao valor atual, que é de R$ 1.518. A correção, embora considerada modesta por especialistas, carrega grande peso social e econômico, alcançando diretamente trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais em todo o país.
O valor foi confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento e ainda precisa ser oficializado com a aprovação do Orçamento de 2026 pelo Congresso Nacional, o que deve acontecer até a próxima semana, antes do início do recesso legislativo.
Como é feito o cálculo do mínimo
O reajuste segue uma fórmula prevista em lei. Primeiro, é aplicado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda. Nos 12 meses encerrados em novembro, o índice ficou em 4,18%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo IBGE.
Depois, entra no cálculo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Em 2024, o PIB cresceu 3,4%, mas a legislação impõe uma trava: esse percentual precisa ficar entre 0,6% e 2,5%. Por isso, o crescimento aplicado ao mínimo ficou limitado ao teto permitido.
Por que o valor foi reduzido em relação às previsões
Quando o governo federal enviou ao Congresso o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), em abril, a estimativa era de um salário mínimo de R$ 1.630 para 2026. Já no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), apresentado em agosto, o valor subiu para R$ 1.631.
Com a divulgação oficial da inflação menor do que a inicialmente projetada, o valor precisou ser revisado para baixo, chegando aos R$ 1.621. Agora, o texto do Orçamento será ajustado antes da votação final.
Peso social e distância do valor considerado ideal
Atualmente, mais de um terço da população ocupada no Brasil sobrevive com até um salário mínimo. Segundo o Censo Demográfico sobre Trabalho e Rendimento, divulgado em outubro, 35,3% dos trabalhadores estavam nessa faixa de renda em 2022.
Um estudo do Dieese, divulgado em setembro deste ano, mostra ainda a distância entre o salário real e o valor considerado ideal para manter uma família com dignidade: R$ 7.075,83. O número escancara o desafio diário de milhões de brasileiros que precisam equilibrar alimentação, moradia, transporte e contas básicas com um orçamento cada vez mais apertado.
No fim das contas, o novo salário mínimo traz alívio para alguns números do orçamento, mas também reacende uma discussão que vai além das planilhas: até quando o trabalho de uma vida inteira seguirá valendo apenas o suficiente para sobreviver?
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













