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‘Não passamos a mão na cabeça’, diz pai de adolescente investigado pela morte do cão Orelha

Caso de maus-tratos em Florianópolis segue sob investigação e mobiliza famílias, autoridades e a opinião pública.

A dor pela morte de Orelha, um cachorro comunitário conhecido e querido por moradores da Praia Brava, ganhou novos contornos neste domingo ao vir acompanhada de um apelo por justiça e responsabilidade. Em meio à comoção nacional, o pai de um dos adolescentes investigados afirmou publicamente que não irá proteger o filho caso fique comprovado seu envolvimento no crime. A declaração, feita em rede nacional, reflete o peso emocional e social de um episódio que ultrapassou os limites de Florianópolis e tocou o país inteiro.

Em entrevista ao programa Fantástico, o pai foi enfático ao afirmar que a educação dada ao filho não admite conivência com erros. Segundo ele, se houver provas, o adolescente deve responder pelos próprios atos. Ao mesmo tempo, cobrou cautela e respeito ao devido processo legal, destacando que, até o momento, há acusações, mas nenhuma comprovação formal apresentada às famílias.

Família pede justiça e esclarecimento

“A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder. Mas tem que ser provado, porque até agora só foram acusações. Não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas”, afirmou o pai do adolescente investigado.

A fala ocorre em um contexto de forte pressão social e exposição pública das famílias envolvidas, desde que o caso veio à tona e ganhou ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa.

Advogado defende apuração rápida e responsável

O advogado Rodrigo Duarte da Silva, que representa duas das famílias envolvidas, afirmou que a expectativa é de que os depoimentos sejam colhidos o quanto antes, para que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Segundo ele, a investigação precisa avançar com equilíbrio, tanto para responsabilizar eventuais culpados quanto para preservar a imagem de adolescentes que não tenham participado do crime.

Para o defensor, a apuração rigorosa é essencial para que “a verdade venha à tona” e para evitar julgamentos precipitados. Ele ressaltou ainda que qualquer responsabilização deve ocorrer de forma proporcional à conduta de cada envolvido.

Investigação em andamento

Até o momento, a Polícia Civil já ouviu mais de 20 pessoas e analisou mais de mil horas de imagens de câmeras públicas e privadas. Dois dos quatro adolescentes investigados retornaram dos Estados Unidos na última quinta-feira (29), onde participavam de uma viagem escolar previamente programada. No desembarque, os celulares dos jovens foram apreendidos para análise.

Apesar do avanço das diligências, ninguém foi preso até agora. A polícia, no entanto, indiciou familiares dos adolescentes pelo crime de coação, o que acrescenta novos desdobramentos ao caso.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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