Conflito se espalha por vários países, deixa centenas de mortos e coloca potências globais em rota de colisão
O terceiro dia da guerra no Oriente Médio amanheceu com mais explosões, mais sirenes e mais famílias em luto. O que começou como uma ofensiva direta contra o Irã já se transformou em um conflito de múltiplas frentes, envolvendo milícias regionais, bases militares estrangeiras e atingindo até a segurança energética global. O medo, agora, não está restrito às fronteiras iranianas ou israelenses: ele atravessa países, mares e continentes.
Nesta segunda-feira (2), Israel e Irã trocaram novos bombardeios, enquanto os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região. O cenário é de escalada rápida e imprevisível, com líderes internacionais sinalizando que a ofensiva pode se prolongar por semanas.
Hezbollah entra na guerra e Líbano vira novo front
O grupo xiita Hezbollah, aliado histórico de Irã, lançou ataques contra o norte de Israel em retaliação à morte do aiatolá Ali Khamenei. A resposta israelense foi imediata, com bombardeios no sul do Líbano e nos arredores de Beirute.
Segundo o governo libanês, ao menos 31 pessoas morreram e 149 ficaram feridas. O Líbano, que já enfrenta uma grave crise econômica e política, volta a ser palco de uma guerra que ameaça desestabilizar ainda mais a região.
Irã mira cidades israelenses e gabinete de Netanyahu
O governo iraniano confirmou o lançamento de mísseis contra Haifa, Tel Aviv e Jerusalém, onde está localizado o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido tanto o gabinete do premiê quanto o quartel-general do comandante da Força Aérea israelense. O governo de Israel ainda não confirmou oficialmente os danos.
Em Israel, 11 pessoas morreram até o momento.
Campanha pode durar semanas, diz Trump
Em entrevista ao jornal The New York Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington e Tel-Aviv estão preparados para manter os ataques por quatro a cinco semanas, se necessário.
Trump declarou que os EUA têm grandes estoques de munição espalhados pelo mundo e sugeriu que o conflito está apenas começando. Ele também mencionou “três ótimas opções” para liderar o Irã após a morte de Khamenei, mas não detalhou quais seriam.
No Pentágono, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o general Dan Caine afirmaram que o objetivo é destruir a capacidade iraniana de lançar ataques balísticos e neutralizar definitivamente o programa nuclear do país.
Drones atingem Golfo Pérsico e ampliam crise energética
O conflito se espalhou pelo Golfo. Drones iranianos atacaram petroleiros no Golfo Pérsico e alvos nas águas territoriais de Omã. Houve registros de ataques contra instalações industriais no Catar e na Arábia Saudita, enquanto os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter interceptado ofensivas iranianas.
A estatal QatarEnergy anunciou a suspensão da produção de gás natural liquefeito após ataques às cidades industriais de Ras Laffan e Mesaieed. A interrupção retira temporariamente uma das maiores fornecedoras globais de GNL do mercado e acende alerta sobre impacto nos preços internacionais de energia.
555 mortos no Irã e sucessão indefinida
Israel também intensificou os ataques contra Teerã. Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho iraniano, ao menos 555 pessoas morreram no país desde o início da ofensiva conjunta entre EUA e Israel, com mais de 130 cidades atingidas.
O clérigo Alireza Arafi, membro do conselho provisório que governa o país, declarou que um novo líder supremo deverá ser escolhido rapidamente pela Assembleia de Peritos. O conselho interino inclui o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni Ejei.
A transição de poder ocorre sob bombardeios e incertezas.
Europa entra no radar
O governo do Chipre informou ter interceptado drones que seguiam para uma base aérea britânica na ilha. Um deles teria causado danos leves. Já o Kuwait “abateu por engano” três caças F-15E Strike Eagle americanos durante missão de combate, segundo militares dos EUA.
O conflito também já deixou quatro militares americanos mortos, de acordo com o Comando Central dos Estados Unidos.
Sem negociações à vista
O chefe do Conselho de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, negou qualquer possibilidade de negociação com Washington. Ele acusou Trump de mergulhar a região no caos e afirmou que o Irã não abrirá diálogo neste momento.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, enviou carta à Organização das Nações Unidas pedindo responsabilização internacional pelos ataques que resultaram na morte de Khamenei. Para ele, a ofensiva abre uma “perigosa caixa de Pandora” nas relações entre Estados.
O que se vê, três dias depois do início da guerra, é uma engrenagem que gira cada vez mais rápido, puxando países, economias e populações inteiras para dentro de um conflito cujo fim ninguém consegue prever. E, enquanto líderes falam em estratégias e munições, são civis anônimos que seguem pagando o preço mais alto: lembrando ao mundo que, em toda guerra, a maior derrota é sempre humana.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Foto da AFP













