Bombardeios atingem órgão que decide sucessão de liderança no país; ataques também atingem aeroportos e zonas civis enquanto conflito se espalha pela região.
É impossível medir apenas com números o impacto de uma guerra que já atinge o coração das instituições de um país e a vida de milhões de civis. Nesta terça-feira (3), em um dos capítulos mais dramáticos da atual escalada no Oriente Médio, agências iranianas e meios internacionais relataram que o prédio da Assembleia de Especialistas do Irã, situado na cidade sagrada de Qom, foi atingido por um ataque aéreo que destruiu a estrutura enquanto membros do órgão, responsável por escolher o próximo líder supremo do país, se reuniam no local. A ofensiva ocorre em um momento em que o Irã ainda tenta lidar com os efeitos dos ataques promovidos por Israel e United States desde o fim de semana.
O ataque à Assembleia de Especialistas não é apenas simbólico. Constituído por clérigos de alto escalão com a autoridade constitucional para nomear o líder da República Islâmica, o órgão estava envolvido diretamente no processo de transição após a morte do aiatolá Ali Khamenei em um ataque anterior que abalou a estrutura de poder iraniana. A destruição do prédio em Qom; e relatos de feridos entre os presentes, intensificam a incerteza sobre o futuro político do Irã e agravam a crise que já havia sido descrita por especialistas como um ponto de inflexão nas relações entre Teerã, Tel Aviv e Washington.
Ataques em Teerã e ordens de retirada
Paralelamente ao ataque em Qom, outro ataque aéreo atingiu o aeroporto de Mehrabad Airport, em Teerã, segundo relatos da mídia iraniana. Autoridades israelenses afirmam que suas Forças de Defesa miraram instalações industriais e militares utilizadas — na avaliação de Tel Aviv: para produção de armamentos que ameaçam sua segurança nacional.
O Exército israelense também emitiu alertas para civis deixarem áreas próximas a zonas industriais e ao aeroporto de Payam Airport, sugerindo operações contínuas nas próximas horas e ampliando o clima de medo entre a população local. Há relatos de ordens semelhantes de retirada em múltiplas regiões da capital, sinalizando que as hostilidades podem se intensificar ainda mais.
Conflito se espalha e Líbano registra êxodo de civis
A guerra não está confinada ao Irã. No Líbano, milhares de civis fugiram de suas casas no sul e no leste do país após bombardeios realizados por Israel em resposta a ataques do grupo xiita Hezbollah: aliado de Teerã. O Exército israelense anunciou incursões em partes da fronteira e emitiu ordens de retirada para moradores de diversas cidades libanesas, ampliando a dimensão humanitária da crise regional.
Além disso, ataques israelenses no Líbano teriam acabado com a vida de líderes do Hezbollah, enquanto o governo de Beirute proibiu atividades militares do grupo e pediu que suas armas sejam entregues ao Estado; uma medida sem precedentes em um contexto já extremamente volátil.
Uma guerra de múltiplas frentes
Especialistas internacionais destacam que o ataque à Assembleia de Especialistas representa um salto na magnitude da ofensiva, pois mira diretamente a estrutura de liderança do Irã em um momento de transição crítica. Enquanto isso, analistas observam que as operações dos EUA e de Israel no país persa também atingiram centros de comando da Guarda Revolucionária e outras infraestruturas estratégicas, em um esforço mais amplo para enfraquecer a capacidade militar e logística de Teerã.
O conflito tem repercussões que vão além do campo de batalha. Países como o Reino Unido já planejam reforçar ações militares na região devido a ataques com drones e a preocupações com a segurança de bases estrangeiras. Navegação pelo estreito de Ormuz está interrompida por dias, afetando mercados globais de energia.
Ao lado de cifras de destruição e relatos de deslocamentos em massa, a crise coloca diante do mundo inteiro o custo humano e político de uma escalada que começou com um ataque direcionado e se transforma rapidamente em um conflito de larga escala. Cada edifício abatido, cada alerta de retirada e cada civil fugindo de sua casa são marcas de um cenário que exige não apenas atenção geopolítica, mas uma preocupação humanitária urgente.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CBN – Globo













