Presidente dos Estados Unidos afirma que ofensiva está “à frente do cronograma”, enquanto Israel garante que ataques continuarão sem prazo definido.
A guerra que nas últimas semanas colocou o Oriente Médio novamente no centro das tensões globais pode estar se aproximando de um desfecho. Pelo menos é o que afirma o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou nesta quarta-feira (11) que o conflito contra o Irã poderá terminar “em breve”, alegando que praticamente não restam alvos militares relevantes para atacar.
Em uma breve entrevista por telefone ao portal Axios, Trump disse que a ofensiva conduzida pelos Estados Unidos em conjunto com Israel está avançando mais rápido do que o previsto e que os danos provocados ao regime iraniano superaram as expectativas iniciais.
“Poucos alvos… quando eu quiser que termine, terminará”, afirmou o presidente americano. Segundo ele, a operação militar está “muito à frente do cronograma”.
Conflito começou após morte do líder supremo do Irã
A guerra teve início em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel matou em Teerã o líder supremo do Irã, Ali Khamenei. A ofensiva também atingiu integrantes importantes da cúpula do regime iraniano e diversas estruturas militares estratégicas.
Autoridades americanas afirmam que dezenas de navios iranianos, sistemas de defesa aérea e aeronaves foram destruídos nas primeiras semanas de ataques. A ofensiva militar buscava enfraquecer significativamente a capacidade de resposta do país.
Em retaliação, o regime dos aiatolás lançou ataques contra diversos países do Oriente Médio, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Segundo Teerã, os ataques miram apenas interesses ligados aos Estados Unidos e a Israel nesses territórios.
Número de mortos aumenta com a escalada da guerra
A escalada militar também trouxe um alto custo humano. Mais de 1.200 civis iranianos morreram desde o início da guerra, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos.
Do lado americano, a Casa Branca registrou ao menos sete soldados mortos em ataques atribuídos ao Irã.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, grupo armado apoiado por Teerã, passou a atacar o território de Israel em resposta à morte de Ali Khamenei. Desde então, Israel intensificou bombardeios contra posições do grupo no país vizinho, deixando centenas de mortos.
Sucessão no Irã gera nova tensão política
Com a morte de grande parte da liderança do regime iraniano, um conselho religioso escolheu como novo líder supremo Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei.
Especialistas apontam que a escolha indica continuidade da linha dura do regime, sem mudanças estruturais no sistema político do país.
Trump criticou publicamente a decisão e classificou a escolha como um “grande erro”. O presidente americano já havia afirmado que gostaria de participar das discussões sobre a sucessão e chegou a dizer que Mojtaba seria “inaceitável” para liderar o Irã.
Israel diz que ofensiva continuará sem prazo
Enquanto Trump fala em possível encerramento da guerra, Israel sinaliza que os ataques podem continuar por tempo indeterminado.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quarta-feira que a operação militar chamada “Leão Ruidoso” seguirá ativa até que todos os objetivos sejam alcançados.
Segundo ele, a ofensiva também busca abrir caminho para que a população iraniana se levante contra o regime. “Devemos continuar a operação para permitir que o povo iraniano se levante e se livre deste regime. No fim, depende deles”, declarou.
A fala provocou reação dentro da própria política israelense. O líder do partido Democratas, Yair Golan, criticou duramente o ministro nas redes sociais, dizendo que uma guerra não precisa apenas de duração indefinida, mas de uma estratégia clara para terminar.
Em meio a declarações contraditórias, ataques que ainda continuam e um cenário regional cada vez mais instável, o mundo acompanha com atenção cada novo movimento no Oriente Médio. A promessa de um fim “em breve” pode soar como alívio para muitos, mas, em guerras dessa magnitude, a história mostra que o último capítulo raramente é escrito tão rápido quanto se anuncia.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Getty Images













