Vorcaro, Fabiano Zettel e Paulo Henrique Costa articulam possíveis acordos de colaboração premiada; ministros temem novo desgaste com eventual citação de nomes da Corte.
Quando investigações financeiras avançam para o campo das delações premiadas, o impacto costuma ultrapassar os autos e alcançar diretamente os bastidores do poder. No caso do Banco Master, essa movimentação já acende um alerta dentro do Supremo Tribunal Federal. A possibilidade de novas revelações envolvendo figuras de peso preocupa uma ala da Corte, que teme o aprofundamento do desgaste institucional.
O cenário ganhou ainda mais tensão com a corrida por acordos de colaboração premiada. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, já negocia uma delação, enquanto seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado como operador do suposto esquema, também avalia seguir o mesmo caminho. Agora, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, preso preventivamente, trocou sua equipe de advogados e deve avançar na mesma direção.
Delações podem recolocar STF no centro da crise
A principal preocupação dentro do Supremo é que os depoimentos dos três envolvidos tragam novos detalhes sobre as fraudes bilionárias investigadas e, principalmente, voltem a citar nomes ligados à própria Corte.
Nos bastidores, ministros avaliam que o STF tenta se afastar da crise que envolve o Banco Master, mas uma eventual colaboração premiada pode recolocar o tribunal no centro do noticiário político e jurídico nacional.
A apreensão não é apenas jurídica, mas também institucional. Em um momento de forte exposição pública e tensão entre Judiciário e setores políticos, qualquer novo elemento pode ampliar ainda mais a pressão sobre a imagem da Corte.
Ministros já foram citados durante as investigações
Dois ministros do STF já apareceram no radar das investigações por conta de relações indiretas com a instituição financeira, que acabou sendo liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.
A esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, firmou um contrato de prestação de serviços jurídicos no valor de R$ 129 milhões com o Banco Master.
Já uma empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli manteve relação comercial em um resort no Paraná com um fundo vinculado ao banco.
As duas situações foram analisadas dentro do contexto das investigações e ambos negam qualquer tipo de irregularidade ou favorecimento relacionado à instituição.
Mudança na defesa de Paulo Henrique Costa chama atenção
A troca da equipe de advogados de Paulo Henrique Costa foi interpretada nos bastidores como um movimento estratégico importante e um possível indicativo de que ele pretende colaborar com as investigações.
O ex-presidente do BRB está no centro de uma apuração que envolve suspeitas de irregularidades financeiras de grande porte e sua eventual delação pode abrir novas frentes dentro do caso.
No Supremo, o temor é que essa sequência de colaborações funcione como um efeito dominó, ampliando a exposição de personagens influentes e tornando mais difícil conter os impactos políticos e institucionais.
Quando a delação deixa de ser apenas jurídica
Em investigações dessa dimensão, uma delação premiada nunca representa apenas uma estratégia de defesa. Ela se transforma em peça política, institucional e, muitas vezes, em um terremoto silencioso nos bastidores do poder.
No Caso Master, o que está em jogo não é apenas a responsabilização de envolvidos em fraudes bilionárias, mas também a credibilidade de instituições que tentam se manter acima da turbulência. E quando nomes do topo entram nesse tabuleiro, cada palavra dita pode ter peso de sentença.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













