Técnico português afirma que a chegada de Carlo Ancelotti muda o patamar da Seleção Brasileira, coloca o Brasil novamente entre os principais candidatos ao título mundial e aponta Argentina, França e Inglaterra como fortes concorrentes.
Quando José Mourinho fala sobre futebol, dificilmente suas palavras passam despercebidas. E desta vez, o treinador português colocou o Brasil de volta no centro da disputa pelo maior troféu do esporte: a Copa do Mundo. Para ele, a possível chegada de Carlo Ancelotti ao comando da Seleção Brasileira muda completamente o cenário e transforma o time em um candidato real ao título.
Em entrevista à emissora italiana Mediaset, Mourinho foi direto ao afirmar que existe uma diferença enorme entre o Brasil sem Ancelotti e o Brasil sob o comando do treinador italiano, a quem chamou carinhosamente de “Carleto”.
A declaração reacende a expectativa da torcida brasileira, que há anos busca recuperar o protagonismo perdido nas últimas Copas e voltar ao topo do futebol mundial.
“Carleto é Carleto”
Ao comentar os favoritos para a próxima Copa do Mundo, Mourinho deixou claro que a presença de Ancelotti pode ser decisiva.
“Eu gostaria, obviamente, que o campeão fosse Portugal. Têm potencial para isso. Depois, Carleto é Carleto. Mesmo com as pessoas dizendo que o Brasil não conseguirá, eu digo que uma coisa é o Brasil sem o Carlo e outra é o Brasil com Carlo. Eu acho que podem”, afirmou.
A fala reforça o respeito internacional pelo treinador italiano, conhecido por sua experiência em grandes clubes da Europa e pela capacidade de administrar elencos estrelados.
Para Mourinho, Ancelotti não seria apenas uma troca de comando técnico, mas uma mudança de mentalidade dentro da Seleção.
Argentina segue forte no radar
Além do Brasil, Mourinho apontou a Argentina como uma das principais favoritas ao próximo Mundial.
Mesmo reconhecendo que muitos jogadores estarão quatro anos mais velhos em relação ao título conquistado no Catar, ele acredita que a força coletiva da equipe comandada por Lionel Scaloni continua sendo um diferencial importante.
“A Argentina é atual campeã do mundo. Ok, tem muitos jogadores ali que estão quatro anos mais velhos, mas me parece uma verdadeira equipe. Sinto que é uma verdadeira equipe, uma equipe unida, compacta, e que tem um prazer tremendo de jogar pela seleção”, disse.
A análise destaca justamente aquilo que muitas seleções buscam construir e poucas conseguem manter: identidade, união e continuidade.
França e Inglaterra também entram na disputa
Mourinho também colocou a França entre os nomes mais fortes da corrida pelo título.
Segundo ele, a profundidade do elenco francês é tamanha que o país poderia formar até três seleções competitivas ao mesmo tempo, algo que poucos conseguem no futebol mundial.
Já sobre a Inglaterra, o treinador reconheceu o peso da tradição e a insistência inglesa em tentar quebrar o jejum que dura desde 1966.
“Há a França, que pode montar três times e todos vão ser competitivos. Na Inglaterra, sempre lembram de 1966, mas um dia há de chegar”, comentou.
A observação traduz bem a expectativa permanente que cerca os ingleses a cada nova Copa.
“A festa começa nas quartas”
Conhecido pelo humor ácido e pela sinceridade, Mourinho ainda brincou ao comentar o início do torneio.
Segundo ele, a verdadeira emoção da Copa começa apenas nas fases decisivas.
“Eu estou pensando em tirar férias até as quartas de final. Há times que só vão para perder. Ainda tem o fuso horário. A festa começa nas quartas”, afirmou.
A frase resume bem o olhar pragmático de quem conhece profundamente o futebol de elite e sabe que, no Mundial, o verdadeiro teste começa quando os favoritos se encontram frente a frente.
No fim, mais do que apontar candidatos, Mourinho relembra uma verdade que o torcedor brasileiro conhece bem: talento nunca faltou ao Brasil. O que sempre se busca é o detalhe que transforma esperança em conquista. E, para ele, esse detalhe pode ter nome, sobrenome e sotaque italiano: Carlo Ancelotti.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/Benfica













