Após a rejeição histórica de Jorge Messias no Senado, o pré-candidato à Presidência pelo PL afirmou que, se eleito, pretende indicar nomes técnicos ao Supremo Tribunal Federal e não descartou o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, como possível escolha.
A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal continua reverberando no cenário político e já movimenta o debate sobre futuras indicações à mais alta Corte do país. Nesta quinta-feira (30), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que, caso vença as eleições, pretende escolher “pessoas técnicas” para ocupar vagas no STF e deixou em aberto a possibilidade de indicar o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
A declaração surge em meio ao desgaste provocado pela derrota do governo Lula no Senado, que barrou o nome do atual advogado-geral da União em uma votação histórica e rara na política brasileira.
Para Flávio, a escolha de ministros do Supremo deve estar baseada em competência e viabilidade política, e não em relações pessoais ou proximidade com o presidente da República.
“O critério não vai ser amizade”
Ao comentar como faria futuras indicações ao STF, Flávio criticou as escolhas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que pretende adotar uma linha diferente.
“A gente vai escolher pessoas técnicas, o critério não vai ser amizade. Lula indicou Zanin, depois Dino e isso tudo influenciou na rejeição do Messias”, declarou.
Segundo ele, existem “vários nomes” sendo considerados e o mais importante será garantir qualificação profissional e condições políticas de aprovação no Senado.
“Do nosso lado, temos pessoas com qualificação, pode ser homem, pode ser mulher, o importante é a competência e a viabilidade de ser aprovado no Senado Federal”, acrescentou.
A fala reforça a tentativa de marcar contraste com o governo petista e dialogar com o discurso de independência institucional.
Rodrigo Pacheco entra no radar
Questionado sobre a possibilidade de indicar Rodrigo Pacheco ao Supremo, Flávio evitou confirmação, mas não descartou o nome.
Pacheco era o favorito de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para ocupar a vaga que acabou sendo disputada por Jorge Messias e continua sendo visto como um nome de forte trânsito político em Brasília.
“É um bom nome, de repente, né? Mas não dá pra falar de nome, não dá pra antecipar. Não vou antecipar isso, não sou presidente ainda”, respondeu.
A declaração chamou atenção justamente por envolver um nome que também era defendido por setores do Centrão e pelo próprio presidente do Senado, apontado como um dos principais articuladores da rejeição de Messias.
Derrota de Messias mudou o tabuleiro
A fala de Flávio acontece logo após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF por 42 votos contrários e 34 favoráveis.
Para ser aprovado, eram necessários ao menos 41 votos.
Antes disso, o advogado-geral da União havia passado pela Comissão de Constituição e Justiça com 16 votos favoráveis e 11 contrários, após uma sabatina de oito horas marcada por questionamentos sobre aborto, religião, interferência do Supremo, atos de 8 de janeiro, além de temas como o escândalo do Banco Master e os descontos indevidos no INSS.
Apesar da aprovação na CCJ, o governo não conseguiu sustentar apoio suficiente no plenário.
A rejeição foi histórica: o Senado não barrava um nome indicado ao Supremo desde 1894.
O episódio aprofundou a crise política entre o Planalto e o Congresso e abriu espaço para que nomes da oposição passassem a discutir publicamente futuras indicações à Corte.
O STF no centro da disputa política
Mais do que uma cadeira no Supremo, o que está em disputa é influência, poder e o futuro das instituições brasileiras. Cada nome sugerido carrega não apenas currículo, mas também projetos políticos, alianças e sinais para o país.
Quando um presidente escolhe um ministro do STF, não define apenas um ocupante de gabinete: ajuda a moldar decisões que podem atravessar décadas.
Por isso, após a queda de Messias, o debate deixou de ser apenas sobre uma rejeição e passou a ser sobre quem terá força para escrever os próximos capítulos dessa história.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Carta Capital













