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Lei da dosimetria pode ficar travada até depois das eleições, avaliam especialistas

Judicialização no STF pode adiar efeitos práticos da norma e manter condenados do 8 de janeiro sob regras atuais.

A expectativa de mudança rápida nas penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro esbarra em um cenário de incerteza jurídica que pode se arrastar por meses, ou até anos. Embora o Congresso tenha derrubado o veto presidencial, especialistas apontam que a chamada Lei da Dosimetria pode demorar a sair do papel.

O principal motivo é a provável disputa judicial no Supremo Tribunal Federal, que deve ser acionado para analisar a constitucionalidade da nova regra. Com isso, o que parecia uma mudança imediata pode acabar ficando suspenso em meio a batalhas jurídicas.

Promulgação não garante aplicação imediata

Com a rejeição do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a promulgação da lei passa a ser um ato obrigatório, sem espaço para nova decisão política. Ainda assim, isso não significa que os efeitos serão sentidos de imediato.

A legislação altera critérios de cálculo das penas e pode beneficiar condenados por crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, incluindo casos de grande repercussão, como o do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Judicialização pode travar efeitos

Mesmo após a publicação da lei, o caminho até a revisão das penas não é automático. Advogados podem acionar o STF com base no princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica, mas cada pedido dependerá de análise individual.

Ao mesmo tempo, o governo federal deve reagir judicialmente, questionando a validade da norma por meio de ações como ADI ou ADPF. Caso um ministro conceda uma liminar suspendendo a lei, seus efeitos ficam interrompidos imediatamente.

“Limbo jurídico” preocupa especialistas

Esse cenário cria o que especialistas definem como um verdadeiro “limbo jurídico”. Na prática, a lei pode existir, mas sem produzir efeitos concretos enquanto sua constitucionalidade estiver em debate.

Isso significa que, mesmo com uma regra potencialmente mais favorável, os condenados continuam submetidos às penas atuais até uma decisão definitiva do STF.

Além disso, o tempo da Justiça pode ampliar ainda mais a incerteza. Julgamentos no Supremo costumam se estender, seja pela complexidade dos temas, seja por pedidos de vista que interrompem as análises.

No fim, o que se desenha é um contraste entre expectativa e realidade. Para muitos, a esperança de uma mudança rápida pode dar lugar à frustração de um processo lento, em que a Justiça, mais uma vez, caminha no seu próprio ritmo, distante da urgência de quem aguarda por uma resposta.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Folha – Uol

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