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Oposição articula CPMI do Caso Master para avançar onde investigações ainda não chegaram

Parlamentares querem aprofundar apuração sobre relações políticas e financeiras ligadas ao Banco Master após operação da PF contra Ciro Nogueira.

A operação da Polícia Federal que atingiu o senador Ciro Nogueira nesta quinta-feira (7) provocou um novo terremoto político em Brasília e reacendeu a pressão da oposição pela instalação de uma CPMI para investigar o chamado Caso Master. Nos bastidores do Congresso, cresce a avaliação de que as revelações já obtidas pela PF seriam apenas uma pequena parte de uma estrutura muito maior de influência política, financeira e institucional.

Para parlamentares da oposição, o material extraído do celular do empresário Daniel Vorcaro ainda não revelou toda a dimensão do caso. A aposta agora é que uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito consiga avançar sobre pontos que, segundo eles, ainda não foram alcançados pelas investigações criminais.

Oposição quer ampliar alcance das investigações

O senador Alessandro Vieira afirmou que a resistência à instalação da CPMI já vinha acontecendo antes mesmo da operação da PF.

“Já estavam atuando nesse sentido”, declarou o parlamentar ao comentar a dificuldade para avançar com a comissão.

Na Câmara dos Deputados, o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva, afirmou que a intenção é ampliar as investigações e responsabilizar todos os envolvidos, independentemente de posição política.

Segundo ele, a oposição pretende aprofundar suspeitas envolvendo integrantes do governo, aliados políticos e possíveis conexões dentro das instituições.

CPMI já reúne assinaturas suficientes

O requerimento para criação da CPMI foi apresentado pelo deputado Carlos Jordy.

O documento já reúne apoio de 239 deputados federais e 42 senadores, número suficiente para a instalação da comissão.

Mesmo assim, a CPMI ainda não foi oficialmente aberta pelo Congresso Nacional.

Um detalhe que chamou atenção nos bastidores foi a ausência da assinatura de Ciro Nogueira no requerimento, mesmo após o avanço da investigação sobre o núcleo político do caso.

O senador é investigado por suspeita de atuação em favor de interesses ligados ao Banco Master em troca de vantagens econômicas indevidas, segundo informações da apuração conduzida pela Polícia Federal.

André Mendonça assume relatoria no STF

Outro fator que animou setores da oposição foi o sorteio que definiu o ministro André Mendonça como relator do mandado de segurança que pede a instalação da CPMI.

Mendonça já é responsável pelas investigações criminais do Caso Master no Supremo Tribunal Federal desde fevereiro e também assinou a decisão que autorizou a operação contra Ciro Nogueira.

Na ação protocolada no STF, parlamentares acusam o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, de evitar convocar sessões conjuntas para impedir a leitura do requerimento da CPMI.

O mandado de segurança pede uma decisão liminar que obrigue a abertura formal da comissão.

Clima político segue delicado no Congresso

Apesar da pressão crescente, o ambiente político em Brasília continua marcado por cautela e tensão.

Na sessão da semana passada que derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da dosimetria, nenhum parlamentar do PL pediu oficialmente a leitura do requerimento da CPMI ao presidente do Congresso.

Nos bastidores, parlamentares avaliam que a operação da PF pode produzir dois efeitos simultâneos: aumentar a pressão para barrar a comissão e, ao mesmo tempo, ampliar o desgaste político de quem resiste à investigação.

O Caso Master amplia a crise de confiança em Brasília

Mais do que uma disputa entre governo e oposição, o avanço das investigações do Caso Master expõe novamente a fragilidade das fronteiras entre política, interesses econômicos e poder institucional no país. Em meio a denúncias, operações policiais e articulações nos bastidores, cresce a sensação de que Brasília vive mais um capítulo de uma crise que ultrapassa partidos e atinge diretamente a confiança da população nas instituições.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/PP

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